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Guerra no Oriente Médio: entenda impacto do diesel no Agro

Economistas explicam como o aumento no custo do diesel acaba sendo repassado para o preço final de diversos itens essenciais

Por Amanda Amaral 

O preço do petróleo Brent –“petróleo cru”, chegou a ultrapassar US$ 100,00 no último final de semana devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã, e ataques a países do Oriente Médio. Conforme especialistas, a alta da commodity no mercado internacional tende a pressionar os preços no Brasil, afetando, principalmente, o setor agrícola e o segmento de transportes, além de impactar o bolso do capixaba e do brasileiro.

A análise destaca o Espírito Santo, que é o maior produtor de café conilon do país. O produto configura entre os cinco com mais peso nas exportações capixabas, segundo os números de janeiro deste ano do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), em parceria com o Sindiex. 

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Na segunda-feira (09), após anúncios do Estados Unidos (EUA) sobre a proximidade do fim do conflito, houve queda do preço do barril, contudo, ainda estava acima do comercializado antes do início da guerra com o Irã, US$ 90,00.
Para o economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-ES), Felipe Storch, a alta do petróleo tende a afetar rapidamente a população porque ele é um insumo central para toda a economia.

“Quando o preço do barril sobe de forma expressiva, cresce a pressão sobre combustíveis como gasolina, diesel e gás de cozinha. Mesmo que o repasse ao consumidor não seja imediato, o encarecimento do diesel impacta diretamente o frete e o transporte, o que acaba se refletindo no preço de alimentos, produtos industrializados e serviços”, explica.

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Falta de combustíveis

No Rio Grande do Sul, o Sistema FAEP identificou relatos da falta de diesel por meio de sindicatos rurais da região, mas a Agência Nacional de Petróleo (ANP) informou que o estado conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular do combustível. Em nota, informou também que faz o monitoramento contínuo do mercado regulado e, até o momento, não identifica restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país. Ressaltou ainda que não tem participação na formação dos preços dos combustíveis, segundo lei vigente desde 2002.

Operações agrícolas

Storch cita ainda a questão do agro, setor em que o diesel é fundamental para operações agrícolas e transporte da produção, o que eleva custos no campo. Além disso, parte dos fertilizantes tem forte relação com o mercado de energia, especialmente gás natural.

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“Quando petróleo e gás sobem, os custos de fertilizantes tendem a aumentar, pressionando a rentabilidade dos produtores. Para o Espírito Santo, isso é particularmente sensível em cadeias importantes como a do café, que dependem intensamente de insumos e logística para escoamento da produção”, explicou.

Monitoramento de preço

Ricardo Paixão e presidente do Corecon-ES. Foto: Divulgação
Ricardo Paixão e presidente do Corecon-ES. Foto: Divulgação

Para o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), o economista Ricardo Paixão, a curto prazo, caso o preço do barril no mercado internacional afeta a economia brasileira, e que uma saída seria aliviar o impacto para consumidores mais vulneráveis e setores mais sensíveis, especialmente transportes e alimentos. “Isso passa por monitoramento de preço, reforço da fiscalização para evitar abusos, além do uso mais eficiente de políticas tributárias, focalização de medidas compensatórias”, explicou.

Paixão também acredita que no momento “a tendência a curto prazo ainda é de volatilidade elevada com viés de alta enquanto persistir a tensão geopolítica”. Mas ele ressalta que, medidas emergenciais coordenadas por governos e a Agência Internacional de Energia podem ocorrer. Por exemplo, países do G7, incluindo os Estados Unidos, já sugeriram a liberação de 300 a 400 milhões de barris no mercado internacional.

Processamento no ES

Diante das questões geradas pelo conflito no Oriente Médio, Storch aponta que o Brasil precisa reforçar medidas que aumentem a resiliência energética, o que inclui o uso de biocombustíveis, redução da dependência de diesel importado, fortalecimento da logística de abastecimento e investimento em infraestrutura energética. “No caso do Espírito Santo, também é importante avançar na discussão sobre maior capacidade de processamento e integração da cadeia de petróleo e gás, o que pode reduzir vulnerabilidades ao longo do tempo”, destacou.

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