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segunda-feira, 16 maio, 2022

JOSÉ
EUGÊNIO
VIEIRA

Alberto Santos Dumont

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O inventor brasileiro que conquistou o céu com sua máquina voadora

A edilidade (vereadores) das cidades brasileiras homenageia personalidades que contribuíram com sua participação para o progresso de suas comunidades e do bem-estar de sua gente. Obras públicas, viadutos, ruas e avenidas imortalizam figuras de projeção local e nacional, testemunhando seu reconhecimento por atos e ações que beneficiaram a população.

Em torno dessa louvável inciativa, há episódios que, por sua singularidade, despertam interrogações nem sempre respondidas; e outras que geram perplexidade, equívocos que não são corrigidos.

Aqui mesmo, perto de nós, no balneário de Manguinhos, pelo menos duas vias reverenciam figuras marcantes da nossa História e da nossa literatura, mas poucos identificam os homenageados: Rua Borboleta Amarela e Rua O Tigre da Abolição.

Santos Dumont,
* 20 de julho de 1873
† 23 de julho de 1932

A primeira delas rende tributo ao nosso cronista maior, Rubem Braga (autor do livro) e a segunda, a Joaquim Nabuco, o abolicionista que lutou bravamente contra a escravidão. São, todavia, homenagens justas que merecem aplausos.

Pitoresco o episódio que cerca uma via pública de São Cristóvão, no Rio de Janeiro: Rua Pedro Ivo. A denominação correta, Rua Pedro IV, buscava homenagear D. Pedro I, monarca que, quando Rei de Portugal, fora aclamado como Pedro IV. Funcionário da prefeitura, imaginando ter sido grafia errada, faltando uma letra, corrigiu o nome para Pedro Ivo. O nome perdura até hoje.

Não é o nosso caso. Alberto Santos Dumont, personalidade ora enfocada, faz justiça por ter seu nome imortalizado em cidades brasileiras e até francesas.

O inventor do aparelho voador mais pesado que o ar, o aeroplano, mineiro da cidade de Palmira, nasceu em julho de 1863, filho de um plantador de café. Desde cedo, mostrou-se uma pessoa perscrutadora do futuro, um leitor de Júlio Verne, e suas projeções, para além do seu tempo.

Antes de seu nascimento, a família havia transferido residência para a pequena Cabangu, posteriormente Palmira e, finalmente, em 1932, denominada cidade de Santos Dumont, homenagem a quem fez o homem voar.

Ele aprendeu a ler com sua irmã, cursando depois o Colégio Culto à Ciência em Campinas, depois o Instituto dos Irmãos Kopké e, finalmente, o Colégio Morethzon, no Rio de Janeiro.
Em 1892, com a morte de seu pai e graças à herança dele recebida, mudou-se para Paris, onde se aprofundou nos estudos, principalmente em mecânica e em motor de combustão, pelo qual se apaixonou à primeira vista.

Foi o passo inicial para a construção do primeiro de uma série que chamou de “charutos voadores motorizados”. No dia 20 de setembro de 1898, por ele dirigido, o biplano subiu até 400 metros antes de retornar ao ponto de partida. Seu “14 Bis” deu início a uma nova era no campo mais sonhado desde Ícaro: permitir ao homem a conquista dos céus.

Homem de frágil complexão, já enfermo, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em dezembro de 1914 retornou ao Brasil, definitivamente chancelado seu destino ao testemunhar seu invento ser usado para bombardear cidades e massacrar populações.

 


Como chegar na Rua em Vitória:

Em seu país, aumentou a melancolia depressiva quando o aeroplano foi usado durante a revolução de 1932 em São Paulo, bombardeando cidades como testemunhara na Europa.

Com esclerose múltipla e depressão, cometeu suicídio em um hotel no Guarujá (SP), em 23 de julho daquele ano.

São poucos os que tornaram o Brasil ainda maior com a dimensão da invenção de Alberto Santos Dumont e sua imaginação criativa e criadora. Assim, numerosas são as nossas cidades que honraram sua memória nominando logradouros públicos, numa reverência ao brasileiro que conquistou o céu com sua máquina voadora. Somente na Grande Vitória, há pelo menos nove vias nomeadas Santos Dumont, em cinco municípios.

Copidesque: Rubens Pontes.

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