Os produtores rurais cada vez mais compreendem que a água é um fator limitante para se produzir e evoluem em tecnologias de irrigação mais eficientes
Por Enio Bergoli
Se por um lado a água é o principal indicador da vida, para a agropecuária é o principal insumo de produção e imprescindível para o sucesso do agro como um todo. É por meio de água que as plantas se “alimentam”, capturando os nutrientes para crescerem e gerarem flores, frutos, sementes, madeira, e tudo que pode ser aproveitado pelos seres humanos. Água é vida!
No Espírito Santo, o balanço hídrico é negativo em cerca de dois terços do território, ou seja, a quantidade de precipitação é inferior à necessidade das plantas somada com a evaporação do solo. Daí reside a necessidade de planejamento para armazenamento de água, bem como seu consumo de forma racional e otimizada, tanto para o campo quanto para as cidades. Água é para todos!
Sob essa ótica, os produtores rurais evoluíram muito na tecnologia de irrigação e o Espírito Santo se tornou o estado com o maior percentual de propriedades irrigadas, chegando a 43,3% do total de estabelecimentos. Resultado decorrente de planejamento e execução em sintonia entre os setores público e privado. Irrigar é preciso!
Destaca-se ainda a evolução tecnológica dos produtores na utilização dos recursos hídricos para irrigação. No Censo Agropecuário de 2006, entre os métodos utilizados para irrigação, cerca de 73% eram referentes à aspersão convencional, que consume muita água e energia. Já no último Censo de 2017, houve uma inversão, onde mais de 92% dos equipamentos de irrigação utilizados pelos produtores capixabas são do tipo microaspersão e gotejamento, que consomem menos água e energia, são mais eficientes do ponto de vista da economicidade e estão dentro do contexto da sustentabilidade. Economizar e racionalizar!
Obviamente, mesmo com essa evolução tecnológica e ambiental, ainda há desafios em curso. O Governo do Estado do Espírito Santo conduz um programa de construção de médias e grandes barragens de uso coletivo, dentro de um contexto de regularização das vazões dos cursos d´água. Cabe aos produtores capixabas a continuidade da construção de barramentos de pequeno porte para dar suporte à irrigação e à segurança hídrica das propriedades. Em breve, linhas de crédito com juros subsidiados para armazenamento de água estarão disponíveis. Armazenar para ter!
Outro desafio importante é o de ampliar a utilização de sensores de umidade e tecnologias de automação, o que possibilita a irrigação de precisão, ajustando as quantidades necessárias de água em função da umidade do solo e das necessidades específicas das atividades agrícolas. Agricultura de precisão!
Desde janeiro, as propriedades acima de quatro módulos fiscais de terra passaram a ter obrigação de aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), para recuperação das áreas de preservação permanente, especialmente aquelas que margeiam os recursos hídricos. Com isso, os produtores passam a colaborar ainda mais para a economicidade da água, ao mesmo tempo que são recompensados com a boa produtividade pelo uso eficiente dos recursos na produção agrícola. Recuperar é o caminho!
Assim, dentro desse contexto do uso da água, o setor agropecuário capixaba está trilhando o caminho certo. Os produtores rurais cada vez mais compreendem que a água é um fator limitante para se produzir e evoluem em tecnologias de irrigação mais eficientes, sem deixarem de investir no armazenamento e na proteção dos recursos hídricos. Estamos no início de um ciclo virtuoso essencial para as futuras gerações. Afinal, quem cuida da água, cuida da vida e do futuro! Quem viver, verá!
Enio Bergoli é engenheiro agrônomo, especialista em administração rural e Secretário de Estado da Agricultura do Espírito Santo
Esse artigo é uma republicação da Edição 222 da Revista ES Brasil — Anuário Verde: Água. Confira a revista digital completa clicando neste link.


