As muitas variáveis em torno do vazamento de óleo

André Pereira César é cientista político, Hold Assessoria Parlamentar

Esse é um dos maiores desastres ambientais da história e mais uma crise enfrentada pelo governo Bolsonaro

Um dos principais motes da campanha de Jair Bolsonaro, o “mais Brasil, menos Brasília”, tem se revelado frágil em alguns setores. O recente vazamento de óleo na costa brasileira, em especial na região Nordeste, é um exemplo dessa realidade – dado o novo desenho institucional, o governo mostra incapacidade de reação e na velocidade que se exige ante aos dramáticos eventos em curso.

Um primeiro ponto a ser ressaltado diz respeito à imagem do Brasil. Mesmo que a culpa pelo acidente não seja de responsabilidade brasileira, o episódio alimenta um quadro já negativo para o país. Cabe lembrar que o vazamento ocorreu quando a crise em torno das queimadas na Amazônia ainda ardia. Na viagem ao exterior iniciada no último domingo, 20 de outubro, o presidente Bolsonaro certamente será questionado sobre o tema.

O impacto ambiental, por seu turno, é mais que evidente. Muitas espécies estão ameaçadas pelo óleo derramado, e mananciais foram severamente afetados. Trata-se, a rigor, de um dos maiores desastres ambientais da história brasileira, e os números da tragédia falam por si só.

Outra dimensão do vazamento diz respeito à repercussão econômica. A indústria do turismo é essencial para a economia do Nordeste e o setor já sente as consequências dessa tragédia ambiental. Às vésperas do início da alta temporada, os estados da região certamente enfrentarão dificuldades para atrair turistas – a queda na receita já é notada.

A redução da estrutura administrativa do Estado, que vem sendo colocada em prática desde a posse de Bolsonaro, também entra nessa avaliação. A extinção de conselhos que tratam da questão ambiental limitou em larga medida uma rápida resposta ao vazamento. O Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC), também foi descontinuado pelo Planalto, agravando ainda mais o quadro.

Dada a restrição dessa estrutura administrativa, à população não restou alternativa a não ser buscar amenizar os danos por conta própria. Em muitas praias essa ação popular está sendo registrada. O problema aqui reside no fato de que esse contingente atua de maneira amadora, sem equipamentos para proteção individual, o que pode tornar a situação ainda mais crítica.

Em suma, o vazamento de óleo na costa brasileira é mais uma crise a se somar a outras enfrentadas pelo governo Bolsonaro. Até o momento, o Planalto não tem se mostrado à altura para solucionar o caso.


André Pereira César é cientista político, Hold Assessoria Parlamentar

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