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segunda-feira, 24 janeiro, 2022

Um ano com muitas obras em infraestrutura e mobilidade urbana

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Foto: Trânsito na Terceira Ponte no sentido Vila Velha.

E projetos de melhoria logística, demandados há décadas, começam a sair do papel

Por Luciene Araujo e Marcelo Rosa

Seja a pé, sobre duas ou mais rodas; seja sobre o mar. A mobilidade urbana e a infraestrutura tiveram destaque na pauta do poder público no Espírito Santo, em 2021. A Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), por exemplo, publicou, no Diário Oficial do Estado, a homologação do resultado da licitação que marcou o início da implantação do aquaviário.

A Empresa Atlântico Sul foi selecionada para desenvolver os projetos básicos e executivos dos trapiches (píeres) na Baía de Vitória, além do licenciamento ambiental, pelo valor de R$ 391 mil.

Os quatro pontos previstos para a construção dos trapiches para atracagem dos barcos são Prainha (Vila Velha), Enseada do Suá, Centro (Vitória) e Porto de Santana (Cariacica).

“A implantação do aquaviário também será feita em etapas. Primeiro, vamos desenvolver os projetos dos trapiches, que devem começar a ser executados, em 2022. É uma etapa importante, pois o píer precisa ser muito bem executado para garantir a segurança e a acessibilidade do sistema”, explica o secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno.

O sistema aquaviário operou na Grande Vitória até a década de 1990, quando foi desativado. Compromisso de Governo, a volta da operação do modal deve ocorrer ainda em 2022, com quatro estações, e será integrado ao sistema de transporte coletivo (Transcol).

O Senado aprovou projeto exigindo que as vias locais urbanas deverão ser separadas das rodovias federais em loteamentos futuros. Foto: Reprodução

Terceira Ponte ganha ampliação e ciclovia

Maior ponte do Espírito Santo e quinta maior do Brasil, a Deputado Darcy Castello de Mendonça, a Terceira Ponte, começou a ganhar cara nova, em 2021. Em julho, tiveram início as obras de ampliação e da construção da Ciclovia da Vida na principal ligação entre Vitória e Vila Velha.

Os serviços começaram pela montagem da plataforma que funciona como o andaime para execução dos trabalhos. Com parte da estrutura metálica da ciclovia já fixada, foi possível iniciar os serviços de concretagem do piso da ciclovia. O projeto da Ciclovia da Vida está sendo executado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi). O Consórcio Ferreira Guedes Metalvix é responsável pelas obras, contratadas pelo valor de R$ 127 milhões. O prazo para conclusão é maio de 2023.

O anteprojeto da Ciclovia da Vida propõe uma estrutura metálica que será anexada nas laterais da ponte para a passagem de ciclistas e, ao mesmo tempo, fazendo a barreira de proteção ao suicídio. Além disso, a capacidade de trânsito da ponte será aumentada em torno de 40%, com a criação de duas novas faixas. Desse modo, a ponte passará a contar com três faixas em cada sentido.

A estrutura, que será anexada à ponte nos dois sentidos como forma de impedir o suicídio, contará com uma grade antiescalada para a proteção, com altura de três metros e uma pista de ciclovia, com pavimento asfáltico de três metros de largura.

Próximo ao vão central, a estrutura da ciclovia terá um alargamento chegando a seis metros e funcionará como uma espécie de mirante. Neste ponto, parte da grade antiescalada será substituída por vidro. As pistas da ciclovia serão de sentido único: uma para Vitória e uma para Vila Velha.

Portos – A expectativa do setor é que a privatização da Codesa seja concluída no primeiro semestre de 2022. Foto: Porto de Vitória.

Portal do Príncipe

Desde o final de 2021, quem chega a Vitória pela Segunda Ponte encontra a capital capixaba diferente. As obras do complexo viário do Portal do Príncipe incluíram intervenções para a melhoria do trânsito, além de novos espaços de convivência e lazer para a população, como a praça com espaço infantil, academia ao ar livre e o espaço Pra Cão.

A Praça das Crianças conta com 8.740 metros quadrados de área construída, formada por espaços de convivência (pergolados), playground infantil, Pra Cão e academia ao ar livre.

O playground infantil está localizado na parte central da praça, em nível abaixo das ruas para maior proteção das crianças. O local conta com os brinquedos casinha com escorregador, gangorras, cestão, ponte pênsil e balanço. O piso é emborrachado.

Os cães também têm espaço dedicado a eles na Praça do Portal do Príncipe. O espaço Pra Cão conta com obstáculos para diversão com animais domésticos, tais como gangorra, rampas sobe desce, prancha, pula pneu, slalom e barreiras para salto.

Já a academia ao ar livre conta com equipamentos em inox do tipo multiestação, simulador de cavalgada triplo, simulador de caminhada triplo, pressão de pernas e rotação vertical. Os pergolados contam com mesa de jogos xadrez, mesa de piquenique e banquetas.

Foto: Portal do Príncipe

Vitória no Transcol

Mesmo em meio à pandemia, em 2021, Vitória passou a integrar o sistema de transporte coletivo, Transcol, operado pela Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-ES).

Por não contar com terminal de integração, na capital foi adotada a integração temporal, que consiste em determinar um tempo para que usuário tome outro coletivo, usando a mesma tarifa.

As linhas municipais (os chamados “verdinhos”) passaram a ser linhas alimentadoras do Transcol para atender aos bairros de Vitória. As novas linhas do sistema têm as mesmas numerações e itinerários usados pelas antigas linhas municipais.

O Retorno

Em janeiro, a Ceturb reinaugurou o Terminal Itaparica, em Vila Velha. Foram investidos R$ 12,2 milhões na reconstrução do espaço, que estava fechado desde julho de 2018, por conta de problemas na estrutura do telhado.

O novo Terminal Itaparica voltou a funcionar totalmente remodelado, com design e materiais modernos. A operação do terminal conta com 39 linhas de ônibus que atendem a cerca de 40 bairros do município. A frota do Transcol é de 1.600 ônibus. Atualmente, são realizadas 12.700 viagens, com uma média de 522 mil passageiros transportados, diariamente.

Foto: Terceira Ponte

Planos

Para 2022, a Ceturb-ES pretende realizar novas modificações para melhorar o sistema de linhas alimentadoras de Vitória, que ainda precisa de muitos ajustes.

Outros bairros, especialmente os localizados em morros, deverão ganhar mais oferta de conexões temporais, aumentando assim as possibilidades de deslocamento.

Há ainda a expectativa de ampliar as conexões temporais para alguns trechos de outros municípios, como Serra e Cariacica.

Os planos incluem continuar o movimento de renovação de frota, tanto de ônibus convencionais como de micro-ônibus. Está prevista, para o primeiro semestre, a aquisição de quatro ônibus elétricos para compor a frota do Transcol.

Após anos sem melhorias na malha ferroviária, o ES irá receber uma nova estrutura, ligando o Estado de norte a sul. Foto: Reprodução

Logística

A logística assume, cada vez mais, importância estratégica para a economia global nacional e estadual. Nenhum estado ou país é capaz de obter crescimento, de se desenvolver economicamente, sem modernizar seus processos e equipamentos logísticos.

Um cenário logístico bem estruturado, possibilita o aumento da produtividade e do comércio exterior. Assim, gera novos postos de trabalho e impacta de forma positiva na melhoria de distribuição de renda. Uma série de fatores que ao final da cadeia produtiva leva à diminuição da desigualdade.

Por toda a sua importância, o planejamento logístico precisa integrar igualmente os planos de governo e da iniciativa privada, pensando de forma coletiva as melhores estratégias para diminuir ao máximos os custos, integrar regiões e modais.

E pontos essenciais ao desenvolvimento da logística no Espírito Santo, alguns debatidos há quatro décadas, começam finalmente a tomar corpo.

Portos

“Temos importantes destaques este ano. O primeiro deles é o lançamento da pedra fundamental da construção do Porto de Imetame, em Aracruz. Uma grande vitória para o norte do Estado, porque vai representar um aumento de investimentos sem precedentes para aquela região, nos mais diversos setores. Serão muitas obras e empresas indo para a região”, aponta Thiago Santos, CEO da BlueStone Logística.

Em junho deste ano, a Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União do Ministério da Economia (SPU/ME) autorizou a empresa Imetame Logística Ltda a utilizar área da União para construir, instalar e operar Terminal de Uso Privado (TUP). Com isso, devem ser criados, aproximadamente, 650 empregos diretos e outras 300 oportunidades indiretas no ápice das obras.

O montante de áreas destinadas aos centros de Distribuição, cresceu 30%. E esses condomínios logísticos tem abrigado grandes marcas que chegam ao Estado. Foto: Reprodução

O imóvel, avaliado em mais de R$ 206 milhões, possui área total de 1.032.639,20 m² em águas públicas, que será destinada a uma retroárea, cais e berços de atracação, píeres, quebra-mar e bacia de evolução.

“É um projeto que vai beneficiar os cidadãos e fomentar a economia. Além dos empregos diretos e indiretos criados durante a execução das obras, a expectativa é a implementação de cerca de 25 mil empregos na cadeia produtiva portuária e de logística após o início da atividade operacional do porto”, destacou o secretário de Coordenação e Governança do Patrimônio da União, Mauro Filho, à época da autorização.

E o anúncio da construção do Porto Central, em Presidente Kennedy a partir de 2022, é classificado como “singular” pelo CEO Thiago. O Porto Central, para atender principalmente o setor de Óleo e Gás, será o grande divisor de águas da nossa infraestrutura e poderá beneficiar muito o Espírito Santo. Ele destaca que a nova estrutura irá receber navios de até 25 mil TEUs, ao paço que o Terminal de Vila Velha recebe embarcações de 8mil a 10 mil contêineres.

Se os terminais portuários não estiverem aptos a operar navios com 366 metros de comprimento (New Panamax), que podem transportar até 14.000 TEUs, os portos brasileiros correm o risco de serem atendidos via feeder – portos menores que, por não terem profundidade suficiente, recebem navios menores, que são carregados de contêineres, e os transportam para portos com maior capacidade, os hubs.

A avaliação feita pelo diretor da Solve Shipping Intelligence, Leandro Barreto, à revista Portos e Logística, em outubro desse ano, chamou a atenção que “praticamente não existem navios com capacidade estática entre 7.000 TEUs e 12.000 TEUs sendo construídos nos estaleiros mundiais. E essa faixa corresponde à maior parte das embarcações de longo curso que atracam na costa brasileira.

Barreto avalia que quanto mais ‘tombos’ (trocas de embarcação) têm a carga em sua logística, maior o custo e a perda de tempo de tráfego (transit time). “Os agentes precisam estar atentos à demanda mundial e que alguns portos brasileiros atualmente ainda estão com disponibilidade de berço”, alerta o consultor. “Ou os portos brasileiros, no médio e longo prazo, se adequam para receber os navios de 366m a full capacity ou então seremos atendidos via feeder no Caribe e no Mediterrâneo — como, hoje, parte da carga excedente da Ásia já é transportada”, analisou Barreto.

A desestatização do porto de Vitória acabou adiada para primeiro semestre de 2022. “Essa mudança para as mãos da iniciativa privada irá mudar muito a dinâmica de serviço, beneficiar os diferentes processos e provavelmente, reduzir custos”, acredita Thiago.

O TCU (Tribunal de Contas da União) deu aval à privatização da Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo) no dia 08 de dezembro deste ano. Essa será a primeira privatização do setor portuário. A previsão do leilão é que ocorra no início de 2022 e a expectativa de investimento é de R$ 783 milhões ao longo dos 35 anos de contrato. O critério do leilão é de maior valor de outorga (dinheiro pago ao governo). Segundo o relator do processo, ministro Bruno Dantas, o valor de referência foi revisto e passou de R$ 119 milhões para R$ 441 milhões.

Ferrovias

Na lista de pleitos legítimos ao desenvolvimento do Espírito Santo, não poderiam ficar de fora as quatro frentes de ferrovias para o governo federal, ligando de norte a sul do estado e também a região centro-oeste, possibilitando o tratamento de diversos tipos de cargas – grãos, minério, mármore e granito, café. “É muito importante desenvolvermos o modal ferroviário, uma vez que os custos para a operacionalidade são muito menores que os praticado pelo meio terrestre”, enfatiza Thiago Santos.

Em outubro deste ano, o Ministério da Infraestrutura liberou a implantação de segmentos que passam por Barra de São Francisco e por Presidente Kennedy. Um deles visa à ligação de Barra de São Francisco, no Noroeste capixaba, à Brasília – a Petrocity terá 1.108 km de extensão e será interligada à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

Já o Macro Desenvolvimento Ltda, que ligará Presidente Kennedy a Minas Gerais, terá 610 km de extensão e fará conexão com as ferrovias Vitória-Minas e Centro-Atlântica (FCA). Os municípios mineiros de Conceição do Mato Dentro e Sete Lagoas, por onde a rodovia passará, são regiões produtoras de calcário, ardósia, mármore e ferro gusa, entre outros produtos.

Somente esses dois trechos, voltados ao transporte de minério de ferro e graneis, representam um investimento de R$ 14,3 bilhões, com estimativa de gerar 210 mil postos de trabalhos diretos e indiretos. Além dessas duas empresas, estão autorizadas a implantar seus projetos de ferrovia a Bracell, Ferroeste, Grão Pará e Planalto Piauí Participações. As companhias assinaram um contrato com a União para executarem propostas apresentadas no âmbito do programa federal Pro Trilhos. Criado a partir do novo Marco Legal das Ferrovias, o programa estimula a ampliação da malha ferroviária nacional pela iniciativa privada, por meio do instrumento da outorga por autorização.

Juntas, as estradas de ferro autorizadas em outubro deste ano, reúnem 3.506,79 quilômetros de novos trilhos à rede ferroviária existente no país e representam R$ 50,36 bilhões em investimentos.

Outras melhorias

O empresário, especialista em consultorias de grandes empresas que buscam se instalar no Estado, destaca ainda a importância da continuidade da obra da Rodovia do Contorno do Mestre Àlvaro, que irá facilitar de forma significativa o escoamento de cargas, melhorando nossa dinâmica logística.

Outro avanço que merece destaque nesse sentido é o incremento nos Centros de Distribuição. “Tivemos um crescimento de 30% de áreas construídas nesses condomínios logísticos. O que é muito positivo. Tanto a região metropolitana quanto os principais municípios como Linhares, Cachoeiro e Colatina, ganham muito com essa estrutura de CDs. Não é à toa que, vendo esse boom, foram vendidas este ano duas naves de 42 mil metros quadrados para o Fundo de Investimento Imobiliário Vinci Partners”, enumera Thiago.

Por fim, na lista dos fatores positivos ao Estado, Thiago Santos é enfático ao argumentar a importância da prorrogação dos incentivos fiscais para mais 10 anos. “O Espírito Santo ganha muito com isso. Não é à toa que grandes marcas acabaram de aportar por aqui”.

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