Indústria e comércio capixabas criticam o fim da taxa das blusinhas e alertam para impactos no setor do ES
Por Letícia Arcanjo
A decisão do Governo Federal de encerrar a cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, tem gerado posições divergentes entre representantes do setor produtivo e especialistas em economia.
O economista e auditor de finanças, Eduardo Araújo, avalia a mudança sob uma perspectiva de equilíbrio entre consumo, arrecadação e concorrência. Segundo ele, a criação da taxa teve como objetivo reduzir desigualdades competitivas entre plataformas estrangeiras e o comércio nacional, que enfrenta uma carga tributária mais elevada e custos estruturais como logística e encargos trabalhistas.
“Na minha opinião, a cobrança federal sobre compras internacionais de pequeno valor precisa ser vista com equilíbrio. Ela foi criada com um argumento legítimo, mas o Brasil já tributa muito o consumo. No balanço, o fim da cobrança parece positivo para o consumidor”, afirma.
Araújo também destaca que o imposto influenciava diretamente o comportamento das famílias. Segundo levantamento da CNI, a parcela de pessoas que desistiram de comprar em sites internacionais por causa do imposto subiu de 13% para 38% entre 2024 e 2025.
Segundo o economista, esses dados, indicam que a cobrança encarecia produtos de baixo valor e limitava o acesso a alternativas mais baratas, ainda que funcionasse como mecanismo de proteção ao varejo.

Já entidades do setor produtivo capixaba demonstram preocupação com a decisão. A Fecomércio-ES se posicionou contrária à suspensão da alíquota de 20% sobre importações de até 50 dólares, destacando que a medida pode comprometer o equilíbrio competitivo entre empresas brasileiras e estrangeiras.
A entidade afirma que a taxação é um instrumento necessário para evitar distorções no mercado e defende que a discussão leve em conta os impactos sobre empresas e empregos. A Fecomércio-ES também alerta para o risco de aumento da dependência de produtos importados e enfraquecimento de cadeias produtivas locais caso o debate se concentre apenas no consumo imediato.
Na mesma linha, a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliam que o fim da taxação representa um retrocesso para a indústria nacional.
Para as entidades, a medida amplia a concorrência com produtos estrangeiros de baixo custo, ao criar vantagens para as indústrias internacionais em detrimento do setor produtivo nacional.
Segundo nota divulgada pelas duas instituições, a mudança tributária deve afetar principalmente micro e pequenas empresas, resultando na perda de empregos e impactando a economia brasileira.

