No estúdio da ES Brasil, especialistas debateram sobre cultura e história como ativos estratégicos para fortalecer o turismo capixaba
Por Thamiris Guidoni
A cultura e a história do Espírito Santo se consolidam como ativos estratégicos para o fortalecimento do turismo. Com patrimônio relevante, influência da imigração europeia e um calendário de festas tradicionais, o turismo cultural surge como caminho para diversificar a oferta, valorizar a memória e reforçar a identidade capixaba. Esse foi o último tema do Debate Destinos ES, com o produtor cultural e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), Manoel Goes, e com a turismóloga e historiadora Elisa Bernardi.
Para Manoel Goes, a cultura é a base desse desenvolvimento. “A cultura é o motor econômico do turismo. Sem cultura, não há turismo, identidade ou formação de um povo. Temos uma riqueza que precisa ser conhecida. Turismo e cultura são indústrias e devem ser tratados como tal”, afirma.
Já Elisa Bernardi reforça que o diferencial do estado está na autenticidade, mas aponta desafios. “A cultura e a história são grandes atrativos, mas precisam ser estruturadas e bem comunicadas. O desafio está na manutenção dos equipamentos culturais e na transformação desses ativos em produtos turísticos, inseridos em roteiros organizados”, explica.
Manoel destaca que esse avanço depende da educação e da preservação da memória. Segundo ele, parte da história ainda está concentrada nas gerações mais antigas. Por isso, defende levar esse conhecimento às escolas e transformá-lo em política pública.
Entre os potenciais turísticos, Elisa cita o Convento da Penha, a Igreja dos Reis Magos e o Centro Histórico de Vitória, além de cidades como Muqui, Santa Teresa e Santa Leopoldina. Também ressalta o turismo étnico, as comunidades tradicionais e a gastronomia, com destaque para a moqueca e a torta capixaba.
As festas tradicionais, segundo Manoel, funcionam como vitrines culturais, mas ainda carecem de maior divulgação. “O Espírito Santo falou muito para dentro. Agora precisa comunicar para fora e mostrar seu potencial além da Grande Vitória”, pontua.
Sobre o interior, Elisa reconhece avanços, mas aponta lacunas. “É preciso mais estrutura, roteiros integrados e valorização do patrimônio. Muitos sítios históricos ainda são pouco explorados”, diz.
A gastronomia também se destaca como ferramenta estratégica. “É fundamental qualificar os empreendedores. Quem recebe o turista precisa conhecer a história do que serve. A moqueca é símbolo, mas nossa culinária é diversa”, afirma Goes.
Elisa complementa: “A gastronomia conecta o turista à cultura pelos sentidos, valoriza produtos locais, fortalece a economia e preserva tradições”.
Para ambos, o desafio central ainda é fazer com que o próprio capixaba conheça e valorize sua história, passo essencial para fortalecer o turismo cultural no estado.

