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Tendências tecnológicas e seus desafios na utilização por operadores do direito

Por José Carlos Rizk Filho

A área técnica da advocacia se relaciona diretamente com os interesses dos indivíduos perante a sociedade, ao passo que com as transformações e mudanças constantes é necessário haver adaptação do campo jurídico. Nesse viés, enseja destacar ao decorrer deste texto as principais tendências para o ano de 2024 e desafios que necessitam de amplo debate, a fim de criar bases para um futuro promissor.

Estamos na era da tecnologia, que merece atenção vez que, de acordo com o crescimento do número de usuários, suas práticas e tipos de utilização se tornam diversas e muitas vezes de difícil compreensão, o que dificulta a atuação do Judiciário. Um exemplo cristalino dessa situação é o emprego da inteligência artificial (IA), que tem sido utilizada em diversas áreas de estudos. A IA traz consigo maior facilidade de acesso à informação. No entanto, deparamo-nos com dificuldade de fiscalização e, quando existente, de regulamentação. Muito tem-se discutido sobre os combates jurídicos nessa área, com inserção de softwares e gerenciamento das plataformas online para resolução de conflitos e contenção dos crimes cibernéticos.

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Outra tendência, com o crescente volume de informações digitais, é a proteção de dados e privacidade, que já se tornou parte do nosso cotidiano. A disposição de informações pessoais em redes sociais é um dos precedentes para a ocorrência de captação indevida, em razão do acesso por indivíduos de diversas partes do mundo. Não ter convicção de com quem está se comunicando é uma das inseguranças ao se tornar um usuário virtual, gerando uma sensação de impunibilidade, a chamada “terra sem lei”, por ser uma ferramenta relativamente em descoberta. Ademais, a conformidade com regulamentações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil e o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) na União Europeia é fundamental para fiscalização e atuação dos advogados.

Com o aumento das demandas judiciais, as buscas de resolução das disputas tendem à propensão de métodos como a mediação e arbitragem, visando a oferecer a alternativa mais célere e menos formal ao sistema judicial tradicional. A adaptação da advocacia será imprescindível, visando às habilidades de negociação e mediação, de forma a induzir o melhor tratamento para o caso concreto. Ao mesmo passo, as transações comerciais tendem a se intensificar, exigindo do corpo jurídico uma visão globalizada em termos de cultura e leis estabelecidas, assim como os acordos previstos no Direito Internacional, em sua matéria pública ou privada.

Além disso, o surgimento de novos nichos de mercado, como a advocacia de startups e empreendedorismo, exigirá conhecimentos específicos dos advogados, em especial no que diz respeito aos aspectos tecnológicos, ambientais, sociais e de governança.

Por fim, mas não menos importante, é necessário citar a ética quanto ao uso dessas ferramentas. Com diretrizes éticas norteadoras na utilização e desenvolvimento dessas tendências, será possível equilibrar os desafios a serem enfrentados pelos profissionais do Direito, principalmente no que concerne aos seus clientes, que são diretamente impactados pelo sucesso ou insucesso dos sistemas aplicados aos seus casos.

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José Carlos Rizk Filho é graduado em Direito pela FDV, especialista em Direito do Trabalho e membro titular do Fórum Nacional de Direito do Trabalho.

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