Câmbio, Bolsa e exportações entram no radar de empresas e investidores com o avanço das discussões comerciais entre Brasil e EUA
Por Letícia Arcanjo
As incertezas envolvendo a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos já chamam a atenção de investidores e empresas que atuam no mercado externo. A possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros pode provocar impactos no câmbio, nas bolsas de valores e nos preços de commodities, especialmente em setores ligados ao agronegócio e à indústria.
O governo norte-americano avalia a aplicação de duas sobretaxas sobre produtos brasileiros: uma de 25%, relacionada a investigações da Seção 301, que envolvem temas como desmatamento, comércio digital e acordos, e outra de 12,5%, associada a alegações de trabalho forçado.
Para o assessor de investimentos da Sicredi Serrana, Torres Mônico, momentos de tensão no comércio internacional exigem planejamento e análise de diferentes cenários, tanto por parte das empresas quanto dos investidores.
“É recomendável que empresários façam simulações de cenários, acompanhem a evolução das negociações e avaliem alternativas para diversificar mercados quando possível. Um bom planejamento financeiro permite enfrentar períodos de maior volatilidade com muito mais segurança”, afirma.
No mercado financeiro, segundo o especialista, decisões tomadas por impulso diante de acontecimentos pontuais podem elevar os riscos. “Oscilações de curto prazo são comuns em momentos de tensão internacional. Para quem investe, o mais importante continua sendo manter uma carteira diversificada, compatível com seus objetivos e perfil de risco”, pontua.
O possível aumento das barreiras comerciais também gera preocupação entre setores da economia capixaba, já que os Estados Unidos estão entre os principais destinos das exportações do Espírito Santo. Produtos como café, celulose, rochas ornamentais, aço, minério de ferro e itens industrializados fazem parte da pauta comercial do Estado e podem sofrer impactos caso as medidas sejam confirmadas.
Dados da Comex Stat, compilados pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), mostram que os Estados Unidos foram destino de 27% das exportações capixabas em 2025. Segundo a entidade, a tarifa adicional de 25%, prevista para entrar em vigor em 15 de julho, pode atingir quase 500 produtos comercializados pelo Espírito Santo. Já a aplicação conjunta das duas sobretaxas poderia alcançar cerca de US$ 1,1 bilhão em exportações capixabas para o mercado norte-americano.
Entre os setores que acompanham o cenário está o de rochas ornamentais. De acordo com o Observatório da Findes, aproximadamente 28% das exportações do segmento para os Estados Unidos podem ser afetadas, caso as medidas sejam confirmadas.

