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Como o tarifaço dos EUA redesenhou o comércio exterior do ES

Sob tarifaço de até 50%, exportações capixabas recuaram 4,8% em 2025 e forçaram o setor a diversificar mercados e rever estratégias

Por Gustavo Costa

O ano de 2025 foi de desafio para o comércio exterior capixaba, cujo principal comprador, os EUA, lançou um tarifaço sobre os produtos brasileiros que chegou a 50% em agosto. De janeiro a outubro de 2025, o setor movimentou R$ 19,9 bilhões, uma retração de 4,8% em relação ao mesmo recorte temporal de 2024.

As informações são de levantamento da plataforma de análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), a Connect Fecomércio-ES, em parceria com o Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex).

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Apesar disso, os resultados mês a mês mostram que setembro e outubro formaram a primeira sequência bimestral com resultado positivo tanto para importações quanto para exportações, o que indica o movimento de busca por recuperação.

Diversificação de destinos

Outra evidência da atividade para equilibrar e reduzir os possíveis danos é a diversificação de mercados compradores. Enquanto no primeiro semestre os EUA dominaram de longe como destino número um das mercadorias capixabas – com US$ 1,6 bilhão contra US$ 291,5 milhão do número dois, a Malásia –, nos quatro primeiros meses do segundo semestre esse quadro mudou.

Entre julho e outubro, os norte-americanos seguiram em primeiro lugar (US$ 795,3 milhões), mas com Singapura seguindo-os mais de perto (US$ 607,9 milhões). Antes, a nação asiática não aparecia nem mesmo entre as 10 primeiras da lista.

“Vários setores capixabas dependem da demanda americana para manter sua produção e seus empregos. Por sua própria estrutura exportadora, o Espírito Santo se colocou em uma posição vulnerável frente às barreiras comerciais impostas pelos EUA”, disse o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza.

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Na lista de produtos exportados pelo estado aos EUA que foram taxados estão café, parte das rochas ornamentais, frutas (entre elas o mamão), pescado, ovos e pimenta-do-reino, entre outros. Esses setores trabalharam em articulação internacional para buscar estratégias de diversificação, novos compradores e meios para amortecer o impacto da taxação extra, além das especificidades de cada um. No caso dos ovos, por exemplo, a forte demanda suplantou a questão das tarifas.

Também houve segmentos de vulto que entraram na lista de itens isentos desde agosto, como a celulose, o aço e o minério de ferro. Já em novembro o governo norte-americano suspendeu as tarifas de uma nova leva de produtos – dessa vez, itens como o café foram liberados, por exemplo. Mas mármore e granito seguiram sobretaxados.

Como o tarifaço dos EUA redesenhou o comércio exterior do ES
O Espírito Santo está entre os 10 maiores exportadores do país – Foto: Renato Cabrini /Next Editorial

Eficiência

Em meio ao desalinho causado pelo tarifaço, o comércio exterior capixaba teve avanços em pautas estruturantes, buscando se fortalecer cada vez mais como referência em eficiência e alta confiabilidade.

“O Espírito Santo permanece entre os 10 maiores exportadores do Brasil e segue se consolidando como um dos Estados mais eficientes em logística e desembaraço aduaneiro, reflexo direto da atuação articulada entre o setor privado e o Sindiex”, disse o presidente do sindicato, Sidemar Acosta.

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De acordo com ele, entre os principais destaques está a consolidação do Conselho Estratégico de Comércio Exterior, Atacadista, Logística e e-Commerce do Espírito Santo (Recomex-ES) como fórum permanente de diálogo entre governo e setor privado, trazendo avanços para as agendas de simplificação e modernização tributária.

O grupo tem por objetivo planejar uma estratégia para a economia do estado no pós-2032, último ano com os benefícios fiscais, como o Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), em vigor.

Novo processo

À parte as questões relativas ao tarifaço, o setor de comércio exterior capixaba também tem outros desafios apontados pelo Sindiex. Um deles é a transição para o novo processo de importação e exportação, por meio da Declaração Única de Importação (Duimp) e dos sistemas integrados, que demanda forte adaptação das empresas e acompanhamento técnico da entidade.

A Duimp é um documento eletrônico que unifica e automatiza a prestação de informações aduaneiras, comerciais e fiscais no processo de importação, substituindo a Declaração de Importação (DI) e a Declaração Simplificada de Importação (DSI). A migração para a Duimp se tornará obrigatória para todas as importações feitas no Brasil até o final de deste ano.

Planos

A fim de melhorar o aproveitamento do setor ao cenário que se apresenta, o Sindiex já pontuou sua agenda para 2026: aprimoramento do ambiente regulatório, ampliação da internacionalização das empresas capixabas e fortalecimento institucional do próprio sindicato.

O objetivo é garantir que o Espírito Santo mantenha sua posição de destaque no comércio exterior brasileiro, combinando infraestrutura moderna, segurança jurídica e um ambiente de negócios cada vez mais competitivo e sustentável.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 231 – Retrospectiva 2025. Leia a edição completa aqui.

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