
Para que a classe média volte a ter protagonismo na aquisição da casa própria, é fundamental ajustar a política econômica, especialmente no que diz respeito à redução das taxas de juros
Por Alexandre Schubert
O mercado imobiliário, por natureza, alterna períodos de expansão e retração conforme fatores econômicos, políticos e sociais. Assim, torna-se essencial que profissionais e empresas do setor estejam atentos a sinais de mudança, antecipando tendências e ajustando estratégias com agilidade.
A elaboração de pesquisas e a capacidade de leitura e adaptação reduzem riscos e criam oportunidades competitivas, sendo vitais para manter as empresas sustentáveis, relevantes e prósperas. Atualmente, o mercado imobiliário capixaba desenvolve majoritariamente empreendimentos de alto padrão e projetos vinculados ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Em contrapartida, a classe média enfrenta cenário desafiador, impactada pelos juros elevados, que reduzem seu poder de financiamento e restringem o acesso à casa própria.
Especialmente, no segmento de imóveis entre R$ 600 mil e R$ 1,5 milhão, há um impasse: com taxas de juro elevadas, o valor das prestações se torna incompatível com a renda. Sem incentivos semelhantes ao MCMV e diante do alto custo do crédito, esse público fica à margem, sem produtos adequados.
Importante esclarecer que todos os segmentos enfrentam dificuldades para o desenvolvimento de projetos, limitados pelos planos diretores municipais. Por isso, é urgente elaborar revisões inteligentes, com alterações que mantenham a sustentabilidade e aumentem a eficiência dos índices e do uso do solo.
Para que a classe média volte a ter protagonismo na aquisição da casa própria, é fundamental ajustar a política econômica, especialmente no que diz respeito à redução das taxas de juros. Enquanto isso, os imóveis de alto padrão seguem com demanda consistente, sustentada por compradores que, em boa medida, não dependem de financiamento. Por outro lado, os empreendimentos MCMV se destacam pelos subsídios e condições de crédito mais acessíveis.
Segundo dados da pesquisa Brain – Inteligência Estratégica, o mercado imobiliário encerrou o quarto trimestre de 2025 em ritmo positivo. O Espírito Santo acompanhou esse movimento, com destaques para Vitória e Vila Velha. Impulsionado por demanda consistente e mudanças no perfil do consumidor, o setor registrou crescimento e altos níveis de lançamentos.
A capital lançou 1.189 unidades, enquanto Vila Velha liderou com 2.427. O desempenho reforça o protagonismo da Região Metropolitana, que segue atraindo investimentos, impulsionada por fatores como qualidade de vida e infraestrutura urbana.
Outro destaque é a mudança no perfil dos imóveis lançados. A tipologia predominante aponta para unidades menores: 40,9% de dois quartos e 36,8% de um quarto. Para a Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), a preferência por imóveis compactos reflete transformações sociais e econômicas. O aumento de domicílios menores, a busca por praticidade, localização estratégica e menor custo têm direcionado as incorporadoras a projetos mais enxutos e funcionais, com forte apelo também para investidores.
A análise indica que, mesmo com juros elevados, o setor manteve resiliência. A combinação entre demanda reprimida, acesso ao crédito habitacional e programas de incentivo contribuiu para sustentar o crescimento.
Alexandre Schubert é Presidente da Associação das Empresas Imobiliárias (Ademi-ES) e diretor Geral da VTO Polos Empresariais

