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domingo, 24 outubro, 2021

Setembro amarelo: IJSN apresenta perfil das vítimas de suicídio

O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) promoveu, nessa terça-feira (21), o seminário “Setembro Amarelo: Perfil Epidemiológico e Características das Vítimas de Suicídio”

Por Munik Vieira

O evento foi transmitido pelo canal do Instiuto no YouTube e contou com a participação da professora universitária e médica da Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Vila Velha, Mylene Murad.

Setembro Amarelo

A campanha Setembro Amarelo é organizada desde 2014, pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), e busca realizar ações de conscientização e de prevenção ao suicídio.

Dados

Segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, no Brasil são registrados mais de 11 mil casos de suicídio em média, todos os anos. Entre os jovens de 15 a 29 anos, é a quarta maior causa de morte. No mundo, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano. Cerca de 96% desses casos estavam relacionados a transtornos mentais, como depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias.

“Os impactos causados pelo suicídio ou pela tentativa vão além das questões emocionais e familiares. Envolve também a segurança pública e seus diversos agentes como as Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e também os serviços de saúde. Por isso, as políticas públicas que visem à prevenção são fundamentais”, explicou a doutora Mylene Murad.

Pablo Lira e Mylene Murad. Foto: Reprodução

A pesquisadora indicou ainda que o principal fator de risco para o suicídio é a tentativa prévia. Segundo ela, isso aumenta em cinco a seis vezes as chances de o indivíduo tentar novamente.

“Infelizmente, cerca de 50% das pessoas que se suicidaram, já haviam tentado previamente. Daí a importância de se identificar rapidamente os sinais e oferecer apoio especializado, com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar”, argumentou a médica.

Outro fator que merece atenção especial é o histórico familiar, uma vez que existe uma predisposição genética envolvida para o ato.

“É uma herança multifatorial, que pode ser desencadeada em um ambiente propício. Entre os fatores de proteção, a pesquisadora destacou o suporte familiar e laços sociais bem estabelecidos, autoestima elevada, resiliência, convívio com crianças e a busca pelo bem-estar mental”, detalhou.

Diálogo

Para o diretor de Integração do IJSN, Pablo Lira, o diálogo sobre o tema é fundamental e permite, a partir da identificação dos fatores críticos, a tomada de decisões para a implantação de políticas públicas baseadas em evidências.

“Dialogar sobre esse tema tão delicado é necessário para reforçar a conscientização e também demonstrar a relevância no aprimoramento de políticas públicas que identifiquem e ofereçam suporte aos indivíduos propensos ao suicídio. Por isso, a importância dos diagnósticos e dessas informações. Elas possibilitam traçar um perfil e criar ações preventivas, baseadas em evidências científicas”, afirmou Pablo Lira.

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