O mestre Luiz Guilherme Santos Neves, além do talento para produzir textos ricos e deliciosos, foi portador de uma visão fascinante da nossa história

Por Manoel Goes Neto
Em agosto, no dia 22, comemoramos o Dia Nacional do Folclore. Uma data de alerta sobre a importância da valorização e da preservação das muitas manifestações folclóricas brasileiras. Perdemos, infelizmente, em 30 de julho do ano passado, aos 90 anos, um grande intelectual e escritor, Luiz Guilherme Santos Neves, um dos maiores literatos do nosso Estado. Nascido na capital Vitória em 1933, cresceu em um ambiente propício à formação do futuro escritor e historiador que se tornou.
Seu pai, Guilherme Santos Neves, além de entusiasta pesquisador do folclore, foi um dos mais respeitados professores de seu tempo. Escreveu inúmeras obras didáticas e paradidáticas e de estudos e pesquisa histórica. Dono de uma escrita refinada e elegante, seja em romances, contos, crônicas, literatura infantil e também no folclore capixaba, herança do seu pai o mestre Guilherme Santos Neves, apaixonados pelo Espirito Santo e suas tradições culturais.
Perdeu a literatura capixaba e brasileira um dos seus maiores escritores e pesquisadores da nossa cultura popular, e que deixa um grande legado para a manutenção e o fortalecimento do folclore capixaba. A sua produção literária é extensa e nela se destacam os livros “A nau decapitada”, romance, 1982, “As chamas na missa”, romance, 1986, “Torre do delírio”, contos, 1992, “História de Barbagato”, infantil, 1996, “O templo e a forca”, romance, 1999 e “Capitão do fim”, romance, 2001.
Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Espírito Santo e em História pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Espírito Santo. É autor de crônicas publicadas nos mais diversos jornais e revistas da capital, escreveu também inúmeras obras didáticas e paradidáticas e de estudos e pesquisa histórica, algumas em parceria com Renato Pacheco, Léa Brígida de Alvarenga Rosa e seu irmão, o escritor Reinaldo Santos Neves.
Folcloristas do Espírito Santo também merecem todas as homenagens. Começamos pelo professor Hermógenes Lima Fonseca, Mestre Armojo, personagem fundamental para o conhecimento, valorização e preservação do patrimônio imaterial do Estado. Mestre Armojo foi um pensador popular fora da academia que, ao lado de Guilherme Santos Neves e Renato Pacheco, formou a “Santíssima Trindade do folclore capixaba”. Eles foram responsáveis pela atenção ao folclore com muito estudo e com exaustivas pesquisas definiram as primeiras políticas públicas para o setor.
É fundamental mantermos vivos os mitos e lendas da nossa gente. Se termos como folclore e cultura forem descartados, esquecidos, as peculiaridades de uma imensa quantidade de folguedos, festas, artes, crenças e mitos, como também práticas do cotidiano acabarão sendo deixadas de lado. Pequeno em extensão territorial, o Espirito Santo é celeiro riquíssimo em tradições folclóricas, privilegiado pela sua posição geográfica, dos povos e raças que aqui se instalaram.
O mestre Luiz Guilherme Santos Neves, além do talento para produzir textos ricos e deliciosos, foi portador de uma visão fascinante da nossa história. É um autor maior e merece ser saudado e homenageado como um dos grandes ficcionistas brasileiros.
Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e diretor no IHGES

