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A abolição do povo escravizado 138 anos depois

A abolição da escravidão no Brasil, 13 de maio de 1888, transformou a sociedade e ainda influencia o Espírito Santo e o país

Por Manoel Goes Neto

Passados 138 anos da promulgação da Lei Aurea (13 de maio de 1888), podemos e devemos refletir e questionar, em termos gerais, a abolição da escravidão no Brasil como tema de peso da história e da historiografia brasileiras. A abolição da escravidão foi um fato central da história brasileira. Comparável à Independência, à Proclamação da República e à Revolução de 1930.

Na verdade, nenhum destes três últimos eventos teve semelhante impacto transformador da vida social. A Abolição destruiu uma instituição e uma prática centenárias que moldaram a história, a sociedade, a política e a cultura brasileiras. A escravidão moldou a colônia por praticamente três séculos, mas também esteve na base da construção do Estado e da nação por 80 anos – se tomarmos como marco dessa construção a vinda da família real em 1808 – e, mesmo depois de mais de um século de sua extinção, ainda lança seus efeitos sobre os dias de hoje. 

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Durante séculos, o eurocentrismo científico ajudou a construir uma história baseada em mentiras e tais mentiras fomentaram, e ainda fomentam, o racismo, a xenofobia, a misoginia e a morte de inúmeros grupos e povos, sobretudo na África e na América. Historiadores, pesquisadores e cientistas estão sempre em busca de apontarem pistas para uma identificação dos grupos étnicos, linguísticos e culturais dos africanos e seus descendentes que deram origem aos negros capixabas. Nesse caso, é preciso destacar que se consideram “negros” todos os pretos e mestiços que tenham, na cor da pele ou nos traços físicos, alguma evidencia de sua origem africana.

O Espirito Santo, tendo sido uma região de projeção econômica pequena no cenário escravista brasileiro, recebeu escravos importados diretamente da África, mas foi muito grande o numero de escravos oriundos de outras áreas do próprio Brasil. Podiam ser encontrados africanos escravizados, no território capixaba do século XIX,  juntamente com negros transferidos , principalmente da Bahia e de outras regiões do Nordeste, Rio de Janeiro e Minas Gerais, incluindo a movimentação migratória pós- republicana. Documentos encontrados dão indicações de que por volta de 1550 já existiam, em terras capixabas, escravos negros, talvez trazidos de Portugal pelos invasores, apesar de, oficialmente, estar registrado que a importação de força de trabalho diretamente da África só aconteceu após 1561.

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Logo após a abolição da escravatura, uma das questões mais importantes, e que foi definidora para garantir a manutenção do liberto como um indivíduo marginal e subalterno na pirâmide social, foi a questão da terra. Não foi realizada reforma agrária e, assim, a grande maioria dos 700 mil libertos, a partir de 1888, não teve acesso à terra, sendo esses forçados a sujeitarem-se aos salários baixos oferecidos pelos grandes proprietários.

A falta de acesso à educação por parte dos libertos, como, era uma preocupação para esses e foi uma questão fundamental para manter esse grupo marginalizado. Sem acesso ao estudo, esse grupo permaneceu sem oportunidades para melhorar sua vida. Após a abolição, muitos libertos acabaram optando por retornarem ao continente africano, dada as dificuldades encontradas aqui para eles. Todas as dificuldades, porém, não foram impeditivos para fazer com que os libertos relembrassem e comemorassem o 13 de maio como um marco da sociedade brasileira.

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Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e membro no IHGES

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