
O cenário de 2025 evidencia que choques geoeconômicos tendem a permanecer como elemento estrutural do ambiente global
Por Alecsandro Casassi
O ano de 2025 foi marcado por tensões geoeconômicas que alteraram fluxos de comércio, investimentos e cadeias produtivas globais. A disputa entre Estados Unidos e China continuou moldando políticas industriais, tarifas e relocalização de plantas. O avanço do protecionismo norte americano elevou custos de importação, pressionou a inflação doméstica e levou a revisões emergenciais de tarifas ao longo do ano.
Para o Brasil, o cenário trouxe riscos e algumas oportunidades. A volatilidade do comércio internacional exigiu adaptação de exportadores e maior atenção à gestão logística. Produtos agropecuários e minerais seguiram relevantes, impulsionados pela demanda asiática, mas sujeitos à oscilação dos preços internacionais.
O país também enfrentou impactos indiretos das medidas tarifárias dos EUA. Mesmo com flexibilizações anunciadas no fim do ano, grande parte dos bens manufaturados brasileiros permanece sujeita a tarifas específicas, reduzindo competitividade e exigindo atuação diplomática contínua.
Ao longo de 2025, o Brasil registrou aumento das importações, reflexo de um mercado interno aquecido e de uma indústria que enfrenta limitações persistentes de produtividade. Enquanto economias concorrentes avançam com subsídios, estímulos tecnológicos e políticas de inovação, o parque industrial brasileiro segue afetado por custos elevados, baixa integração às cadeias globais e ausência de uma estratégia consistente para ampliar competitividade.
Esse descompasso dificulta a concorrência com produtos estrangeiros mais baratos e aprofunda a perda de espaço da produção nacional. Caminhos para elevar a produtividade envolvem ambiente regulatório mais simples, infraestrutura eficiente, políticas de inovação e solução do desequilíbrio fiscal, que restringe investimentos públicos e prejudica o planejamento privado.
A busca global por investimentos sustentáveis abriu espaço para projetos ligados à energia limpa, à logística moderna e às atividades de baixo carbono. Nesse contexto, o Espírito Santo ganhou destaque pela articulação entre portos, retroáreas e cadeias industriais, além da diversificação gradual de atividades associadas ao gás natural, transição energética e serviços voltados ao comércio exterior.
O estado também sentiu os efeitos das instabilidades logísticas internacionais, que influenciaram custos e prazos de exportações de café, rochas ornamentais e celulose.
A reorganização das cadeias produtivas reforçou a importância de hubs logísticos eficientes. A localização estratégica do Espírito Santo manteve-se como vantagem competitiva, mas exige novos investimentos em infraestrutura, digitalização e ampliação da capacidade portuária. Ao mesmo tempo, tornou-se ainda mais evidente a necessidade de ampliar mercados e reduzir a dependência de decisões unilaterais de grandes economias.
O cenário de 2025 evidencia que choques geoeconômicos tendem a permanecer como elemento estrutural do ambiente global. Para o Brasil e para o Espírito Santo, a estratégia passa por diversificação de parceiros, fortalecimento de políticas de competitividade e integração a cadeias mais resilientes.
A capacidade de antecipar riscos, adaptar setores exportadores e capturar oportunidades emergentes será decisiva para sustentar crescimento econômico, mitigar vulnerabilidades e elevar a competitividade de longo prazo.
Alecsandro Casassi é o atual presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEF-ES)
Esse artigo é uma republicação da Edição 231 da Revista ES Brasil – Retrospectiva 2025 – Leia aqui

