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Enfim, o cinema nacional tem reconhecimento global

Enfim, o cinema nacional tem reconhecimento global

O setor se recupera, com aumento no número de salas de cinema em funcionamento. Filmes com narrativas potentes e diversas têm conquistado o público

Por Manoel Goes Neto

Enfim, o cinema nacional está em alta, vivendo uma “era de ouro”, tendo reconhecimento global, impulsionado por sucessos internacionais como “O Agente Secreto” (Kleber Mendonça Filho) e “Ainda Estou Aqui”, que conquistaram prêmios importantes (Oscar, Cannes, Globo de Ouro) e aumentaram o reconhecimento global, somando-se a um mercado interno fortalecido pela Lei de Cota de Tela e um crescente interesse do público, consolidando-se como um fenômeno cultural e econômico para o Brasil.

Produções brasileiras têm brilhado em festivais e premiações globais, como o Oscar (com indicações e vitórias) e o Globo de Ouro. “O Agente Secreto” venceu em Cannes e no Globo de Ouro (Melhor Filme Não-Inglesa), e “Ainda Estou Aqui” levou o Oscar de Melhor Filme Internacional. Ator Wagner Moura e diretor Kleber Mendonça Filho ganharam destaque internacional por seus trabalhos. O setor se recupera, com aumento no número de salas de cinema em funcionamento. Filmes com narrativas potentes e diversas têm conquistado o público, refletindo a cultura e identidade brasileira.

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Outro ponto em favor foi o restabelecimento da Lei da Cota de Tela, em 2024, após três anos em desuso. O novo decreto substitui a antiga regra de “dias mínimos” para exibição por um sistema mais flexível: exige um percentual mínimo de sessões ao longo do ano em cada complexo, ponderado de acordo com a escala do grupo exibidor — quanto maior o grupo, maior a cota exigida.

Os números mostram que o setor está no caminho certo. Além do sucesso internacional de filmes como Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, no período entre maio de 2024 e maio de 2025 houve um aumento de 197% nas vendas de ingressos para filmes brasileiros em comparação ao período anterior.

Importante esclarecer que a Lei Federal de Incentivo à Cultura, mais conhecida como Lei Rouanet, é um instrumento criado para estimular e fomentar a produção, preservação e difusão cultural no Brasil. No caso de “Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”, as obras premiadas não utilizaram os recursos da lei, já que a Rouanet não financia produções audiovisuais de longa-metragem, apenas curtas e médias.

Segundo o Ministério da Cultura, Ainda Estou Aqui foi financiado com recursos próprios. Ou seja, não recebeu recursos públicos federais geridos pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). A VideoFilmes, produtora majoritária do longa, adotou um modelo de parceria financeira internacional que reúne empresas como a brasileira Globoplay e as francesas Arte-Cinema e Mact Productions.

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Por fim, a expansão das plataformas de streaming abriu novas portas para talentos locais, ampliando a visibilidade de filmes que, antes, ficavam restritos a salas de cinema. O lançamento híbrido, aliado a campanhas digitais mais eficientes, criou novos caminhos para alcançar públicos jovens e diversificados.

Esse ecossistema mais robusto tem impulsionado bilheterias e consolidado o cinema brasileiro como uma força criativa em ascensão. A fatia de mercado ocupada pelos filmes brasileiros nas salas de cinema do país também aumentou em 2025. Dados preliminares divulgados em novembro pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) mostram que um em cada dez brasileiros que foi ao cinema em 2025, até agosto, assistiu a um filme nacional.

Especialistas no mercado audiovisual acreditam que o sucesso do filme nos cinemas do país e nas premiações internacionais impulsionará a produção cinematográfica nacional como um todo, e que venha mais um Oscar em 15 de março.

Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e diretor no IHGES

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