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Releitura sobre os resultados da economia

Essas mudanças são sinais de segurança jurídica em andamento

Por Arilda Teixeira

O artigo anterior apresentou estatísticas sobre as contas públicas sugerindo que elas estavam em rota indefinida com tendência de piora, porque o Déficit Primário era 2,5% do PIB; e o Déficit Nominal, de 6,8% do PIB; o que, comparado com resultados anteriores, indicavam tendência de alta. Não é bem assim. Ocorre que, quando o texto foi escrito, foram utilizados dados de dezembro de 2020. Contudo, a Secretaria do Tesouro Nacional já liberou os resultados dessas contas para abril e maio de 2021. E, para esses meses, o déficit nominal está em 2,19% do PIB, e o primário, 1,76%, com perspectiva
de chegar a 1% do PIB.

Como esses resultados, para dezembro de 2020 eram, respectivamente, 13,63% e 9,44% do PIB, indicam que as Contas Públicas estão sob controle – a despeito da pressão por gastos que a pandemia do Covid-19 exerce sobre o orçamento público do País. Não é o ótimo, mas está dentro dos “Limites do Possível”, parafraseando Malan e Bonelli. Outra estatística não mencionada foram as perspectivas de investimentos e geração de empregos (até 700 mil nos próximos 14 anos), trazidas pela aprovação do Novo Marco do Saneamento. Merece atenção! O Marco do Saneamento, além de abrir perspectiva para que se resolva, de uma vez por todas, o déficit sanitário com que o país convive – 49% da população não tem acesso à coleta de esgoto, e 15% não tem acesso a água potável – abre oportunidades para investimentos, que por sua vez criam vagas para emprego e crescimento econômico. Concomitantemente, também a nova Lei de Falências, cuja legislação evitará que se confunda Recuperação Judicial como Falência; e permitirá que credores e devedores negociem o plano de recuperação que deverá ser implementado pela devedora. Essas mudanças são sinais de segurança jurídica em andamento. Bons sinais!

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Além disso no bojo da PEC emergencial foi inserida proposta de lei para controlar as despesas obrigatórias de governos subnacionais, e a redução de incentivos fiscais. Esses esforços da equipe econômica para executar uma agenda de mudanças que abram oportunidades para o crescimento foram percebidos pelos nossos pares no exterior. O FMI elogiou a conduta do Ministério da Economia ressaltando que o Brasil foi o único país, no mundo, que propôs e aprovou reformas estruturais durante a pandemia do Covid-19. Assim sendo, não cabe dizer, como foi dito no artigo anterior, que as reformas estruturais foram jogadas para escanteio. Elas estão sendo feitas. No ritmo que uma República Democrática permite. O texto anterior desconsiderou esse detalhe do contexto. Por isso fez uma interpretação incompleta dos indicadores. Mas, com ou sem interpretação incompleta, é preciso reconhecer que o trâmite para a Reforma Administrativa está, no mínimo, tímido. Principalmente para uma equipe que foi elogiada pelo FMI por suas reformas estruturantes. A Tributária também precisa entrar na agenda de reformas e ser votada.

Sem elas a sonhada segurança jurídica está ameaçada. Sem segurança jurídica não há investimento. Sem investimento.

Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape Business School

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