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sábado, 27 novembro, 2021

Projeto quer preservar língua tupiniquim

Selecionado pela Lei Aldir Blanc, Projeto Língua Viva – Imagens em Movimento em Debate promove live de lançamento no YouTube, nesta sexta-feira

Tornar público o pensamento Tupinikim sobre a sua realidade, por meio da arte indígena e do incentivo à retomada da sua língua materna: esta é a principal contribuição do projeto “Língua Viva – Imagens em Movimento em Debate”, desenvolvido pela doutoranda em Antropologia Social Aline Moschen, em conjunto com a Bule Criativo, linguistas e artistas indígenas do tronco Tupi.

Selecionado pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), o projeto consiste na construção de um acervo digital composto por artigos e obras fotográficas de artistas indígenas, disponibilizado no site www.linguaviva.org, e na realização de um podcast no formato de um debate reunindo a pesquisadora e as lideranças indígenas Jocelino Tupinikim, Urutau Guajajara e Tiago Matheus Tupinikim.

 Banho de Rio no Territorio indigena de Aracruz. Credito
Foto: Divulgação

Nesta terça-feira (27), às 21h, o podcast será disponibilizado no site; e na sexta-feira (30) acontece a live de lançamento no YouTube, às 19h, com a participação da equipe do Projeto e de representantes Secult e da Secretaria da Educação (Sedu).

O objetivo é integrar as artes verbais e as artes visuais do povo Tupinikim aos temas da memória e do patrimônio imaterial dessa população, com ênfase na língua materna. As reflexões versam sobre as artes indígenas como estratégias de preservação da língua tupinikim e do enfrentamento aos estereótipos étnico-raciais presentes no cotidiano dessa população, que divide limites próximos com o meio urbano no município de Aracruz, no norte do Espírito Santo.

Nesta proposta, língua e imagem operam como códigos complementares sobre os quais artistas e intelectuais indígenas expõem o seu pensamento em diálogo com seu próprio povo e com diferentes setores da sociedade.

O conteúdo do podcast será distribuído para as escolas da Rede Estadual de Ensino, nos municípios de Aracruz e Colatina, por meio da Gerência da Educação no Campo, Indígena e Quilombola da Secretaria da Educação (Sedu). “Direcionar parte da produção intelectual e artística dessas pessoas ao ensino público é uma forma de reconhecer narrativas teóricas e históricas concretas sobre um território dentro da história e do ensino tradicional”, afirma a pesquisadora Aline Moschen, que desenvolve pesquisas junto aos povos indígenas de Aracruz desde 2015 e atualmente faz o doutorado em Antropologia Social pelo Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Além da galeria virtual de acervo fotográfico produzido por artistas tupinikim, dentre os quais se destaca Beatriz Pêgo, e do podcast que será distribuído na Rede Estadual, o site do projeto “Língua Viva – Imagens em Movimento em Debate” reúne conteúdo exclusivo criado por pensadores indígenas contemporâneos, com textos que abordam a arte indígena contemporânea e a linguagem Tupiniquim. “Entendo que artistas, pesquisadores e linguistas indígenas devem ser reconhecidos como agentes importantes não apenas às suas comunidades, mas à sociedade como um todo”, destaca a pesquisadora Aline Moschen.

O Projeto “Língua Viva – Imagens em Movimento em Debate” está em consonância com a aplicação das leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena na rede de escolas públicas e particulares, dos Ensinos Fundamental e Médio.

Agenda de lançamentos:

Projeto “Língua Viva – Imagens em Movimento em Debate”

Acervo digital composto por textos e obras fotográficas de artistas indígenas e disponibilização de podcast com a doutoranda em Antropologia Social Aline Moschen, o linguista indígena Jocelino Tupinikim, o linguista Urutau Guajajara e a liderança indígena Tiago Matheus Tupinikim.

20/04 – Lançamento do site Língua Viva

27/04 – Lançamento do podcast, às 21h

30/04 – Live de lançamento, às 19h, no canal do Projeto Língua Viva no YouTube 

Siga o Projeto Língua Viva no Instagram

Projeto selecionado pela Lei Emergencial Aldir Blanc, por meio da Secretaria da Cultura (Secult-ES).

Ficha técnica:

Aline Moschen – Coordenadora de Produção. Doutoranda em AntropologiaSocial pelo Museu Nacional/UFRJ.

Adriano Monteiro – Produtor Executivo. Mestre em Comunicação e Territorialidades pela Ufes.

Anapuaka Tupinambá – Criador de conteúdo. Fundador da Rádio IndígenaYandê.

Beatriz Pêgo – Fotógrafa. “Ybotyra mirí” do povo Tupinikim. Nascida e criada na aldeia de Caeiras Velha, atualmente moradora da aldeia Amarelo.

Jaider Esbell – Criador de conteúdo. Artista plástico e pensador indígena.

Idjahure Kadiwel – Criador de conteúdo. Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ.

Urutau Guajajara – Linguista. Mestre em Linguística pelo MuseuNacional/UFRJ. Liderança da Aldeia Maracanã.

Jocelino Tupinikim – Linguista. Mestre em Linguística pelo Museu Nacional/UFRJ. Liderança da aldeia Caieiras Velha.

Tiago Matheus Tupinikim – Estudante de jornalismo. Morador da aldeia Comboios. Cineasta indígena independente, diretor do filme “Bravura e coração” (2020).

 

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