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Como preparar trabalhadores para um mercado em transformação?

Proposta é ampliar programas de requalificação e atualização de trabalhadores em áreas como tecnologia da informação, inteligência artificial e sustentabilidade

Por Kikina Sessa

Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, países que compõem os Brics, avançaram em uma agenda conjunta para qualificação profissional. Os debates, durante recente encontro realizado no Brasil, mostraram que os países compartilham os mesmos desafios como a digitalização, a transição verde e a desigualdade no mercado de trabalho.

A questão é como preparar trabalhadores para um mercado em constante transformação, impulsionado por inteligência artificial, energias renováveis e novas formas de emprego?

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Conheça as cinco recomendações apresentadas pelo Grupo de Trabalho de Desenvolvimento de Habilidades, Tecnologia Aplicada e Inovação do Brics:

1. Requalificação ao longo da vida

O grupo defende que os países ampliem, de forma coordenada, programas de requalificação (reskilling) e atualização (upskilling) profissional, especialmente em áreas como tecnologia da informação, inteligência artificial e sustentabilidade. A ideia é que escolas técnicas, universidades e empresas atuem juntas para formar profissionais preparados para os empregos do futuro.

“Não se trata apenas de ensinar novas tecnologias, mas de garantir que o trabalhador evolua com elas de forma segura e contínua”, afirma o superintendente de Educação Profissional e Superior do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Felipe Morgado.

2. Financiamento para qualificação

Os países do Brics propõem a criação de fundos nacionais e mecanismos de financiamento para apoiar a formação profissional. Uma das sugestões é incluir cláusulas nos contratos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) que destinem parte dos recursos para qualificação da mão de obra nos países envolvidos.

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3. Governo, empresas e instituições de ensino lado a lado

Uma das prioridades é fortalecer a parceria entre o setor produtivo e as instituições de ensino. Isso inclui desde o desenvolvimento de pesquisas aplicadas até a criação de cursos voltados para demandas reais da indústria. O objetivo é conectar a formação profissional com as oportunidades concretas de emprego.

4. Certificações válidas entre os países

Facilitar a mobilidade de trabalhadores entre os países do BRICS também está na pauta. A proposta é criar um sistema de reconhecimento mútuo de diplomas e certificações técnicas, o que permitiria que um profissional qualificado no Brasil, por exemplo, tivesse seu diploma reconhecido na África do Sul, na Índia ou na China.

5. Empregabilidade digital e inclusiva

Para conectar profissionais e vagas de forma mais eficiente, o grupo quer investir em plataformas digitais de emprego, com uso de inteligência artificial para cruzar perfis e oportunidades. Também há um compromisso com a inclusão de grupos historicamente excluídos (como mulheres, migrantes, pessoas com deficiência e moradores de áreas rurais) por meio de currículos acessíveis, metodologias flexíveis e uso de tecnologia adaptada.

As ações também estão alinhadas com as discussões internacionais sobre o futuro do trabalho e com a preparação para a COP 30, que será realizada no Brasil em 2025. A educação profissional é vista como peça-chave para garantir que as transformações.
“A qualificação profissional não é apenas uma resposta às mudanças tecnológicas e ambientais. É a condição para que essas transformações sejam justas, sustentáveis e acessíveis a todos”, reforça Morgado.

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O Grupo de Trabalho de Desenvolvimento de Habilidades, Tecnologia Aplicada e Inovação dos CEBRICS (STIWG) reúne representantes dos países do bloco para articular ações conjuntas em qualificação profissional, inovação tecnológica e empregabilidade. O grupo promove o intercâmbio de experiências e desenvolve propostas alinhadas às transformações digitais, à transição verde e aos desafios do mercado de trabalho.

Composto por autoridades governamentais, instituições de ensino técnico e superior, como o Senai, agências de inovação e representantes do setor produtivo, o STIWG atua na criação de políticas comuns, como programas de requalificação, reconhecimento mútuo de certificações e plataformas digitais de emprego.

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