Município atrai gigantes internacionais para instalar plantas de descafeinização e café solúvel, com foco em mercados da Europa e Ásia
Por Amanda Amaral
O município de Colatina está em fase avançada de negociações para consolidar um polo industrial voltado à produção de café solúvel e ao processo de descafeinização. Duas empresas do setor discutem projetos para implementação de plantas industriais no municípios, investimento total de mais de R$ 1 bilhão.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Colatina, o consultor de investimentos Luiz Fernando Lorenzoni, explicou que a iniciativa busca transformar o perfil econômico da região Noroeste do Espírito Santo, atraindo grandes grupos internacionais com projetos que preveem investimentos individuais variando entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão por unidade fabril. Segundo ele, o nome das empresas não é revelado por questão de confidencialidade.
Sobre a escolha pela região, Lorenzoni destacou o potencial logístico e a vocação agrícola de Colatina como fatores decisivos para os investidores. O município também apresenta proximidade de empresas como a OFI e Cacique, estão instaladas em Linhares; e a DM Descafeinadores – primeira fábrica de descafeinação do Estado, em Sooretema.
Somado a isso, o fluxo da produção na região pode ser facilitado ainda por portos localizados no Norte do Espírito Santo. “Colatina é um ambiente econômico que tem condições de atrair empresas industriais de grande nível para esse processo, pois o município e seu entorno são grandes produtores de Conilon. Estamos acompanhando a análise desses dois grupos internacionais e a possibilidade de recebermos esses investimentos é grande, o que ajuda o pequeno agricultor da porteira para fora, gerando mais oportunidades no seu entorno e gerando mais empregos e renda”, concluiu.
Contudo, a estratégia foca na verticalização da produção do café conilon, presente no entorno de Colatina, visando substituir a exportação do grão in natura por produtos com maior valor agregado. Segundo Lorenzoni, a chegada dessas indústrias deve otimizar a logística para o produtor rural e ampliar a inserção do café capixaba em mercados mais exigentes da Europa e Ásia, além de fortalecer o abastecimento interno.
Em março desse ano, a receita cambial das exportações de café solúvel pelo Espírito Santo alcançou US$ 11 milhões do solúvel, crescimento de +149% na comparação com fevereiro de 2026, segundo relatório do Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV). No período, em volume, a alta foi de 48 mil sacas (+129%).

“Ao longo dos últimos dez anos, percebi que o Espírito Santo tinha um produto bom nas mãos, mas que não era aproveitado de forma adequada, com um volume muito grande de exportação agrícola in natura enquanto países que produzem menos, como o Vietnã, tinham polos industriais muito mais fortes. Fomos estudando a questão nacional e internacional e verificamos que o café era uma grande janela de oportunidade para gerar mais divisas para o Estado, não vendendo apenas o grão puro, mas o café solúvel e o descafeinado”, explicou o secretário.

