Óleo atinge novas áreas no litoral capixaba

As manchas de óleo estão cada vez maiores no litoral capixaba. - Foto: Ibama

As ações de monitoramento do óleo por parte da Marinha e do Ibama registraram fragmentos nas praias de Itaúnas e Guriri, no Espírito Santo

Fragmentos de óleo foram encontrados em Pontal do Ipiranga, em Linhares, nesse domingo (10), segundo a Marinha do Brasil (MB). Esta é a segunda localidade no município impactada pelo óleo. A primeira foi a praia de Urussuquara.

Na última quinta-feira (07), manchas foram encontradas em Guriri, São Mateus. As amostras foram encaminhadas ao Instituto de Estudos do Mar, que confirmou ser o mesmo óleo encontrado nas praias do Nordeste. E, neste sábado (09), foram encontradas manchas na paria de Barra Nova, também em São Mateus.

Uma equipe com aproximadamente 300 profissionais da MB foi designada para atuar nas praias capixabas e fazer o monitoramento dos locais impactados.

Por meio de nota enviada à imprensa, a Marinha afirma que “até o momento, mais de 4.800 militares da MB, 34 navios, sendo 30 da MB e quatro da Petrobras, 22 aeronaves, sendo 11 da MB, seis da Força Aérea Brasileira (FAB), três do Ibama e dois da Petrobras, além de 5 mil militares e 140 viaturas do Exército Brasileiro (EB), 140 servidores do Ibama, 80 do ICMBio e 440 funcionários da Petrobras atuam nessa grande operação”.

A chefe de divisão técnica do Ibama-ES, Letícia Meneghel, também destaca que um trabalho de monitoramento está sendo realizado com a máxima atenção. “As nossas barreiras nas praias são montadas para conter esse tipo de óleo. Porém, o óleo venezuelano não tem a mesma propriedade que um óleo comum. Em geral, ele fica na coluna d’água. Por si só, as barreiras não tem tanta eficácia”, diz.

As manchas de óleo começaram a chegar ao litoral brasileiro em 30 de agosto. – Foto: Divulgação

Ela reforça que as praias estão com o acesso liberado, mas alertou a população que ao encontrar algum vestígio de óleo, reportem aos órgãos competentes. “As pessoas que encontrarem algum fragmento pode entrar em contato com a Marinha, por meio do número 185, ou com o Ibama”, orienta Letícia.

Apoio

O ambientalista do Instituto Jacaranema, Petrus Lopes, disse que a entidade está alinhada a outras organizações do Estado por meio de força-tarefa, com o objetivo de solucionar os problemas no litoral capixaba.

“Nós nos sentimos no dever de ajudar esse movimento e nos vinculamos às ações do governo do Estado. Também nos reunimos com o secretário de Meio Ambiente justamente para alinhar a estratégia que adotamos em Vila Velha e para captar os equipamentos de proteção individual (EPI’s) para dar seguimento ao trabalho”, pontua Lopes.

Segundo ele, a Defesa Civil está realizando uma capacitação para a destinação do óleo recolhido. Até o momento, foram capacitados multiplicadores municipais nas 14 cidades costeiras do Espírito Santo, que vai desde Conceição da Barra, no extremo norte, a Presidente Kennedy no extremo sul.

“À medida que o óleo for entrando no nosso litoral, a equipe da Defesa Civil realizará uma capacitação nas comunidades que desejam participar da retirada do óleo, Mas pedimos que as pessoas não tenham contato com o produto sem equipamento necessário. Entretanto, se for inevitável, é importante que seja utilizado sabão e óleo de cozinha para não deixar nenhum resquício do material”, lembra Petrus.

O ambientalista disse que o Instituto Jacaranema também está conectado com parceiros e pesquisadores que estão envolvidos com o trabalho nas ilhas de Abrolhos e Caravelas, na Bahia, além do Norte do pais.

Petrus reforça que o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais do Espírito Santo (Ipram) está habilitado a receber os animais que podem ter sido afetados pelo contato com esse óleo.

“Ninguém deve dar alimento, lavar ou tocá-lo. Para isso, é necessário pegá-lo com um pano ou uma luva, tire-o da água e coloque-o em uma sombra. Após esse procedimento, entre em contato com o Ibram ou com o Ibama a fim de resgatar o animal”, destaca ele.

Reuniões

Na manhã deste domingo (10), o governador Renato Casagrande recebeu em seu Gabinete no Palácio Anchieta, em Vitória, gestores federais, estaduais e municipais que participam do combate aos fragmentos de óleo descobertos no litoral do Espírito Santo.

Durante a reunião, ele homenageou as empresas que doaram equipamentos de proteção individual (EPIs) e materiais para a operação de limpeza das praias, além da contenção para evitar o comprometimento de manguezais e estuários.

O governador Renato Casagrande se reuniu com a equipe de meio ambiente para definir um plano de ação. – Foto: Leandro Braga / vice-governadoria

O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Fabricio Machado, afirmou que foi realizado um cronograma para que o Estado saia na frente com as ações que reduzam os impactos ambientais.

“Nos antecipamos para não errar. Foram 27 dias desde a primeira reunião do Comitê, unindo vários órgãos federais, estaduais, municipais, a universidades federal, técnicos e até a iniciativa privada para consolidar um Plano de Ação e também uma força tarefa em prol do meio ambiente. Todos estavam com o mesmo propósito: proteger nossas praias, manguezais e estuários. Sabemos que o óleo é imprevisível e desconhecido, mas nosso litoral está sendo monitorado, permanentemente, para que o impacto ambiental seja mínimo”, afirmou o secretário.

Além disso, o secretário divulgou um Plano de Ação que será executado em três etapas: “Prévia ou atenção”, ações voltadas à previsão, monitoramento, comunicação e suporte logístico; “Operacional”, que envolve a contenção, limpeza e destinação final dos resíduos recolhidos, além do atendimento à fauna oleada e início do trabalho de mensuração dos impactos nos ambientes costeiro e marinho; e “Posterior ou de Avaliação”, que é a parte do monitoramento dos locais atingidos e levantamento dos danos ambientais e socioeconômicos, além da valoração monetária dos impactos.

Entenda o caso

As manchas de óleo começaram a chegar ao litoral da Paraíba no dia 30 de agosto. A substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas.

No Nordeste, onde houve maior impacto, as praias que estão com equipes de limpeza são: Japaratinga, Barra de São Miguel, Coruripe, Feliz Deserto e Piaçabuçu, em Alagoas. Cumbuco e Barra do Cauípe, no Ceará, além de Coroa do Meio, em Sergipe e Cairu, na Bahia.

O Espírito Santo é o 10º estado brasileiro atingido pela chegada do material. Até agora, 120 praias de todos os Estados do Nordeste sofreram o impactados e 127 toneladas de óleo recolhidas em 2 km da costa.

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