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Avaliação da OAB-ES deve reorganizar mercado jurídico capixaba

Nova avaliação impacta recrutamento, salários e oportunidades de jovens advogados no ES, redefinindo critérios do setor

Por Denise Miranda

A avaliação institucional que será conduzida pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) sobre os cursos de Direito em funcionamento no Estado tende a produzir efeitos práticos que ultrapassam o ambiente acadêmico. A iniciativa surge como um novo parâmetro de qualidade, capaz de influenciar processos de seleção, formação profissional e a dinâmica do mercado jurídico capixaba.

“A OAB tem o dever institucional de contribuir para o aprimoramento do ensino jurídico. Nosso objetivo é caminhar junto às faculdades, oferecendo apoio, escuta qualificada e colaboração, sempre pensando na formação ética e técnica dos futuros profissionais e no interesse da sociedade”, ressalta a presidente da OAB-ES, Érica Neves. A proposta reafirma o compromisso da Ordem com a formação acadêmica de qualidade e com o futuro da advocacia.

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Para o advogado empresarial Johannes Gomes Nascimento, a proposta da OAB-ES contribui para qualificar o debate sobre o ensino jurídico e trazer mais clareza ao mercado. Segundo ele, o selo da Ordem não elimina a concorrência por talentos, mas ajuda a organizar os processos seletivos. “O selo ajuda a estruturar o funil de entrada e a identificar, com mais agilidade, instituições que oferecem uma base técnica consistente”, afirma.

Na avaliação de Johannes, o diploma de uma faculdade bem avaliada pela OAB-ES passa a funcionar como um indicador relevante na triagem inicial de currículos, sobretudo para vagas de estágio e advocacia júnior. “Ele pesa, mas não é absoluto. Outros critérios seguem decisivos, como postura profissional, raciocínio jurídico, qualidade da escrita, ética e interesse real pela prática”, ressalta.

O advogado observa, ainda, que a formação acadêmica pode influenciar o salário inicial em escritórios mais estruturados, mas tende a perder protagonismo ao longo da carreira. “A faculdade abre portas, mas o crescimento depende da performance, da capacidade de resolver problemas e de gerar valor no dia a dia do escritório”, conclui.

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Impacto real

A avaliação institucional também pode repercutir na trajetória de longo prazo dos profissionais. Para o jurista Luiz Henrique Antunes Alochio, uma formação consistente amplia a capacidade do jovem advogado de identificar áreas de atuação, tornar-se referência técnica e ser considerado para promoções ou migração para escritórios de maior porte. “Ou mesmo para abrir o próprio escritório”, acrescenta.

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A iniciativa da OAB-ES se insere em um contexto de crescente disputa por talentos no mercado jurídico do Espírito Santo, especialmente em Vitória, onde se concentram escritórios de médio e grande porte. Com a expansão dos cursos de Direito e o aumento da oferta de profissionais recém-formados, os critérios de seleção têm se tornado mais rigorosos.

Nesse cenário, de acordo com os especialistas consultados pela reportagem da ES Brasil, avaliações institucionais e selos de qualidade tendem a ganhar peso como filtros informais no recrutamento. Um diploma oriundo de uma instituição bem avaliada pode influenciar a entrada no mercado, o salário inicial e as oportunidades de crescimento. Para o setor, a ação da OAB-ES pode contribuir para reduzir assimetrias na formação acadêmica e oferecer maior previsibilidade sobre a qualificação técnica dos novos profissionais.

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