ES Brasil consultou especialistas políticos para analisarem impactos da manifestação pró-anistia que reuniu quase 50 mil em São Paulo
Por Robson Maia
O ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, promoveu um novo ato no último domingo (6) intercedendo pela anistia aos envolvidos nos atos de janeiro de 2023. A ES Brasil analisa, junto a analistas políticos, o movimento que reuniu aproximadamente 50 mil pessoas na principal via da capital paulista, a Avenida Paulista, em São Paulo (SP).
Ao longo da manifestação, marcada por protestos contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro ironizou o ato realizada na última semana por grupos de esquerda contra a anistia e em defesa de sua prisão. O ex-presidente disse que “eles perderam essa guerra” porque “a grande maioria do povo brasileiro entende as injustiças” contra os presos e condenados pelos atos antidemocráticos, que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília (DF).
Segundo o ex-presidente, “a anistia é competência privativa do Congresso Nacional” e não poderá ser vetada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar das declarações de Bolsonaro, o chefe do Executivo nacional não tem se manifestado a respeito do projeto.
O episódio de 8 de janeiro já resultou em mais de 500 pessoas condenadas no STF, incluindo um capixaba que reside no município de Vila Velha. As penas variam de três a 17 anos de prisão. Os crimes pelos quais foram condenados são: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.

Os bolsonaristas consideram que o Supremo, na figura do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, está perseguindo os apoiadores do ex-presidente, e que as penas impostas são exageradas. Por isso, articulam a aprovação de um projeto de lei no Congresso para anistiar todos os envolvidos nos atos de 8/1.
Analistas divergem sobre impacto das manifestações
Especialistas em política consultados pela ES Brasil apresentaram posições distintas sobre os possíveis impactos que as novas manifestações de grupos bolsonaristas produziram na pauta.
Para Darlan Campos, o crescimento da adesão de manifestantes no ato em São Paulo, quando comparado às manifestações realizadas no Rio de Janeiro em 16/3, é um bom sinal. Contudo, o principal quesito a ser avaliado é a participação de outras lideranças políticas nacionais, como governadores de São Paulo (Tarcisio de Freitas, do Republicanos), Minas Gerais (Romeu Zema, do Novo), Santa Catarina (Jorginho, do PL) e Goiás (Ronaldo Caiado, do Uniao Brasil).

Segundo o analista, esse movimento é fundamental para que os planos bolsonaristas se concretizem, e, assim, a pauta avance no Congresso Nacional.
“As manifestações do último fim de semana acrescenta um ingrediente novo ao movimento de pressão que o bolsonarismo tem feito em cima de uma pauta da anistia aos condenados de 8 de janeiro. Claro que isso resvala também na questão da prisão de Jair Bolsonaro, que também caminha no do STF”, pontuou Campos.
“O que a gente tem que perceber é que talvez o grande fato novo dessas manifestações não seja o contingente de pessoas. De fato, foi maior do que o movimento anterior no Rio de Janeiro, mas não foi um grande impacto do ponto de vista público. Talvez o grande fato seja o campo político, ou seja, a participação inclusive de outros presidenciáveis que se colocaram no debate do tema, se mostrando favoráveis”, prosseguiu.
Darlan apontou ainda que, independente da condição política de Bolsonaro no próximo ano, as ambições políticas da direita seguem ligadas ao ex-presidente.
“Esse cenário é uma demonstração de que o sucesso da direita em 2026 passa por Bolsonaro. Passa por uma indicação ou por uma espécie de bênção de Bolsonaro. Claro, estamos falando da força que os governadores que estiveram no ato em São Paulo acrescentam, mas são nomes que se credibilizaram graças ao ex-presidente”, afirmou o especialista.

Já para Thomas Tommasi, mesmo diante dos novos movimentos em torno da pauta, o tema não adquiriu uma força suficiente para uma reconfiguração dos posicionamentos recentes do Congresso e Judiciário.
“Acredito que a pauta permanece com a mesma força de antes. É um tema delicado, que tem aderência de parte da população, mas que as pesquisas não apontam como sendo de apoio majoritário. A manifestação anterior foi mal mobilizada, esta ganhou mais atenção dos seus líderes”, afirmou o analista.
Em concordância com Campos, Tommasi chamou a atenção para a popularidade do ex-presidente, conseguindo, em poucas semanas, aumentar significativamente o público,
“Acredito que ele tem mantido sua popularidade, sendo um personagem relevante na política nacional. A reflexão que devemos fazer é em relação à forma com que ele vai chegar em 2026, se com seus direitos políticos suspensos ou não. Em um país de regras imprevisíveis, com pouca segurança jurídica, não temos, nos dias de hoje, certeza de nada em relação à possibilidade ou não dele disputar a eleição”, concluiu Tommasi.

