Os microplásticos causam impactos ambientais enormes nos ecossistemas, principalmente nos aquáticos, o que ainda é pouco percebido pela sociedade e governantes
Por Luiz Fernando Schettino
Os microplásticos, são partículas de plástico com menos de 5 milímetros, presentes em quase todos os ambientes do planeta. Poluição resultante da degradação de plásticos maiores ou são produzidos intencionalmente para uso em produtos como cosméticos e roupas. Embora invisíveis a olho nu, os microplásticos representam uma ameaça significativa ao meio ambiente e à saúde humana.
Os microplásticos causam impactos ambientais enormes nos ecossistemas, principalmente nos aquáticos, o que ainda é pouco entendido e percebido pela sociedade e por governantes. Microplásticos são frequentemente ingeridos por organismos diversos, especialmente os marinhos, desde o plâncton até grandes mamíferos. Vários estudos mostram que essas partículas podem causar bloqueios intestinais e liberar substâncias tóxicas, afetando a saúde e a reprodução dos animais. Além disso, os microplásticos podem atuar como vetores de poluentes orgânicos persistentes (POPs), que são altamente tóxicos e podem se acumular na cadeia alimentar.
A presença de microplásticos no solo também é preocupante. Eles podem alterar a estrutura do solo, afetando a sua capacidade de reter água e nutrientes e contaminar o lençol freático, o que pode impactar negativamente a agropecuária e a saúde animal e humana. Além disso, a fragmentação contínua dos plásticos no ambiente leva à formação de nanoplásticos, que são ainda mais difíceis de detectar e remover.
Os microplásticos ainda causam impactos fortes na saúde das pessoas expostas aos mesmos, principalmente através da ingestão de alimentos e água contaminados, bem como pela inalação de partículas suspensas no ar, como já foi descoberto. Pesquisas recentes encontraram microplásticos no sangue, pulmões, coração, cérebro e placenta humana, aumentando as preocupações sobre os possíveis efeitos desses poluentes na saúde.
Os microplásticos podem também causar outros danos como: transportar patógenos e substâncias químicas perigosa e pela liberação de aditivos tóxicos usados na fabricação de plásticos, podem levar a inflamações e lesões nos tecidos, favorecer obstrução do trato intestinal, aumenta o risco de ataques cardíacos e derrames, causar o estresse o oxidativo e levar a danos no DNA, aumentando o risco de infecções e doenças diversas.
O que chamou a atenção para esse tema foi a inusitada situação de Conceição da Barra (ES), conhecido por suas boas praias, uma das quais estão com níveis alarmante da poluição por plásticos, segundo matéria do G1, que mostrou estudo divulgado pela ONG Sea Shepherd Brasil em parceria com o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), que a praia do Pontal do Sul é a segunda as mais poluída por microplásticos de todo o Brasil.
Cabe ressaltar que a alta concentração de resíduos plásticos nas praias não só prejudica a vida marinha, mas também afeta negativamente o turismo e a qualidade de vida dos moradores. A poluição visível nas areias e nas águas é um lembrete constante da necessidade urgente de ações eficazes para combater esse problema.
O que torna a busca por soluções urgente, em face da gravidade dos impactos dos microplásticos ao ambiente, às atividades socioeconômicas e à natureza. Razão pela qual é crucial que a sociedade e os governantes tomem medidas urgentes para mitigar essa ameaça, através de ações coletivas e políticas eficazes, que incluam como ponto principal a educação e conscientização da população para colaborar.
Luiz Fernando Schettino é engenheiro florestal, mestre e doutor em Ciência Florestal, advogado, escritor e ex-Secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

