Por Thamiris Guidoni
O jornalista e escritor Jonas Reis foi eleito presidente da Academia Espírito-santense de Letras (AEL) para o período de 2026 a 2028. Integrante da instituição há três anos, Jonas sucede Ester Abreu Vieira de Oliveira, cujo mandato se encerra em 19 de dezembro. A eleição ocorreu por meio de votação de chapa do conselho, com a proposta de renovar estratégias e fortalecer a atuação da centenária entidade cultural.
“Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que esta não será a gestão de um presidente. Faremos uma gestão compartilhada com os demais integrantes da Diretoria, dividindo poder e responsabilidades e debatendo, permanentemente, projetos e ações a serem desenvolvidas”, afirmou Jonas.
Gestão compartilhada e desafios financeiros
Ao comentar as diretrizes de sua gestão, o novo presidente destacou o desafio de manter a relevância da instituição diante das limitações orçamentárias.
“A Academia tem uma história centenária de prestígio e credibilidade, congregando em suas fileiras os mais destacados escritores, intelectuais diversos e personalidades do Estado. Entretanto, isso não se traduz em recursos para sua manutenção e expansão de suas finalidades estatutárias, de incentivo à cultura”, pontuou.
Jonas explicou que a principal estratégia da nova diretoria será a formação de parcerias com instituições públicas e privadas.
“Temos uma bela sede, em local privilegiado, um palacete que, no entanto, foi projetado em outra época, há 70 anos, e não atende às necessidades atuais de acessibilidade e realização dos eventos que promovemos. Assim, nossa principal diretriz é a formação de um amplo leque de parcerias com instituições públicas e privadas, que nos permita vencer essas limitações.”
Reformas e readequação da sede

Segundo o presidente, a AEL já iniciou um processo de cooperação com o poder público.
“Este ano já formalizamos uma parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), que nos proporcionou recursos para a elaboração de projetos executivos de arquitetura, engenharia e complementares. Na sequência, a ideia é ampliar essa parceria para promover a reforma e readequação arquitetônica da sede, com o que ganharemos um pequeno auditório, ampliação de espaços e instalação de elevador para acesso, por exemplo, à nossa biblioteca, localizada no quarto piso do prédio, hoje acessível apenas por escadas.”
A reformulação estrutural e institucional é uma das metas do triênio.
“Com ações diversas, as diretrizes principais incluem criar mecanismos para obtenção de recursos de manutenção dos nossos espaços e atividades administrativas, sem o que não podemos avançar no cumprimento dos nossos objetivos. Nos próximos três anos vamos promover uma ampla reformulação da Academia nesse sentido, o que nos permitirá dar uma contribuição mais efetiva à cultura capixaba.”
Parcerias e valorização da literatura capixaba

Após a eleição, Jonas reforçou a intenção de fortalecer o papel da AEL como referência cultural.
Segundo ele, “a ideia é oferecer a essas instituições a oportunidade de agregar um século de cultura à sua história, considerando todo o conhecimento, experiência e credibilidade acumulados pela Academia em seus 104 anos de história como a segunda instituição cultural mais antiga do Espírito Santo.”
A nova diretoria será composta por Adriana Pereira Campos (1ª vice-presidente), Anaximandro Amorim (2º vice-presidente), Ítalo Campos (1º secretário), João Gualberto Vasconcellos (2º secretário), Fabio Daflon (1º tesoureiro), Marcos André Malta Dantas (2º tesoureiro) e Rômulo Felippe (diretor de Publicidade). O Conselho Fiscal terá os imortais Adilson Vilaça, Francisco Grijó e Jô Drumond.
Jonas também destacou que a Academia buscará ampliar seu alcance em ações culturais.
“Faremos isso pela formação de parcerias com instituições como a Universidade Federal do Espírito Santo e o Instituto Histórico e Geográfico, por meio de suas ramificações no interior do Estado. Tanto o poder público quanto as instituições privadas têm todo interesse na formação desse tipo de parceria com uma instituição como a nossa, porque assim podem agregar 100 anos de cultura, prestígio e credibilidade às realizações na área.”
Ele também ressaltou o papel do Estado na promoção da cultura.
“Quanto ao poder público, esse interesse não é gratuito, é o cumprimento do que preceitua a Constituição Federal, que no artigo 215 estabelece que o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.”
Entre as ações previstas, estão a realização de debates, concursos literários, eventos culturais e a abertura da sede para atividades com estudantes.
“Dessa forma, poderemos fortalecer o papel da Academia na valorização da literatura e da cultura capixaba com ações nas áreas de incentivo à leitura, apoio ao escritor e difusão de nossa literatura com a publicação de obras de interesse histórico, por exemplo.”
Sobre Jonas Reis
Natural do interior de Colatina, Jonas Reis, de 72 anos, é jornalista, advogado e escritor. Autor de obras como Viagem à alma do Brasil e A lenda do lagarto azul, ingressou na AEL em 2022, após se aposentar do Tribunal de Contas do Estado, onde atuou como secretário-geral das sessões.
Antes da carreira pública, trabalhou como repórter, redator e editor em diversos veículos de comunicação do Espírito Santo. Por sua contribuição à imprensa e à memória institucional, recebeu a Comenda Desembargador Hélio Gualberto Vasconcellos, concedida pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo.

