O fotógrafo capixaba Gabriel Lordello está entre os 55 artistas selecionados para exposição internacional que homenageia o pintor americano Edward Hopper
Por Thamiris Guidoni
O fotógrafo capixaba Gabriel Lordello está entre os 55 artistas selecionados em todo o mundo para participar da exposição “Hopper Happens”, realizada em Nyack, no estado de Nova York, cidade onde o pintor americano Edward Hopper (1882-1967) iniciou sua trajetória artística.
Em entrevista à ES Brasil, Lordello falou sobre a influência do artista em seu trabalho e sobre o processo que deu origem à fotografia escolhida para a mostra.
A exposição ocupa diferentes espaços da cidade, como cafés, restaurantes, galerias e museus. O capixaba participa com a fotografia “A Moça da Jaqueta Rosa”, produzida em Paris neste ano.
A imagem retrata uma mulher sentada sozinha sob a luz do fim da tarde, em uma composição marcada pelo contraste entre luz e sombra, característica que aproxima o registro do universo de Hopper.
“Fiquei muito honrado por participar de uma exposição em homenagem a uma grande referência para o meu trabalho. Hopper extraía do cotidiano cenas silenciosas onde a luz e a solidão se destacavam com muito realismo”, afirma.
A fotografia faz parte de uma pesquisa que Lordello desenvolve há anos a partir da observação da vida urbana. Segundo ele, o desafio da fotografia de rua é encontrar novas perspectivas em cenários aparentemente comuns.
“O grande desafio de fotografar o cotidiano é enxergar sempre a mesma rua que você passa todos os dias de maneira diferente”, diz.
Foi justamente esse olhar que resultou em “A Moça da Jaqueta Rosa”. A imagem surgiu durante uma visita às Galeries Lafayette, em Paris, quando o fotógrafo percebeu a luz do entardecer iluminando uma mulher sentada sozinha tomando café.
“Nesse dia eu percebi aquela luz do final da tarde, a tonalidade do ambiente e aquela moça sentada ali. Achei aquilo muito bonito”, conta.
Para Lordello, observar é parte essencial do processo criativo. “Eu vou caminhar para observar. Não vou fotografar, vou para observar. Quando vejo algo que me toca e imagino uma história, eu capturo aquilo.”
O fotógrafo define essa prática como um exercício de atenção ao cotidiano. “O mundo ao ar livre é o meu ateliê. A vida é um filme acontecendo ao vivo, e eu escolho as cenas que mais gosto para contar uma história.”
A mostra fica em cartaz entre os dias 1º de junho e 5 de julho. “Foi uma seleção com fotógrafos do mundo inteiro. Estou muito feliz por fazer parte dessa homenagem ao Edward Hopper”, destaca.

