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domingo, 23 janeiro, 2022

Índice de Consumo das Famílias fecha 2021 com seu pior nível histórico

O índice de satisfação, que são 100 pontos, não é alcançado desde 2015. Foto: Jhonatan Blendon

O economista capixaba, Claudeci Neto, analisa o índice e fala sobre as novas características de consumo das famílias

O indicador que avalia aspectos específicos da vida financeira dos consumidores fechou o ano de 2021 abaixo do nível de satisfação, com a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em 71,6 pontos, uma queda de 9,9% em relação a dezembro de 2020 (79,4 pontos).

Este ano, o indicador alcançou seu menor nível histórico, o que havia ocorrido em 2016, quando fechou com 73.3 pontos. Desde 2015 o nível de satisfação, que é de 100 pontos, não é alcançado. As informações foram divulgadas esta semana pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

“Esse cenário nos mostra que as famílias estão perdendo a capacidade de consumo, perdendo poder aquisitivo, isso em decorrência da inflação que está chegando a casa dos dois dígitos, e o fato de os juros ao crédito estarem elevados e em processo de crescimento, porque a tendência é elevar a taxa básica Selic. Esses fatores desestimulam o consumo”, explicou o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), o economista Claudeci Pereira Neto.

Faixa de Renda

Por faixa de renda, as famílias que ganham mais do que dez salários mínimos tiveram queda no consumo de 5%, ficando em 86,9 pontos. Para as famílias com renda abaixo de dez salários mínimos, a queda foi maior, de 11,2%, com o indicador atingindo 68,4 pontos.

“Estas famílias terão como tendência gastar em setores básicos como alimentação, transporte, casa. Estes setores continuam a serem impulsionados, porém os setores de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, por exemplo, tendem a apresentar redução nas vendas, já que estas famílias se comprometeram com as necessidades básicas”, comentou o economista.

Espírito Santo

“O comércio sentiu muito com a pandemia. As lojas ficaram fechadas, porém o e-commerce foi potencializado, inclusive, com empresas que não são daqui. Então, uma blusa ou uma calça que a pessoa comprava no comércio do bairro dela, ela passou a pedir pela internet e chegava em 3 a 5 dias. Houve uma mudança no consumo. Vimos lojas fechando no comércio de Cariacica, Vitória, Serra. O que poderíamos fazer é investir nos centros de distribuição. Já temos alguns em razão do Fundap, então é criar uma boa rede de centro de distribuição e nos prepararmos para este momento”, analisou Neto.

Por região, as famílias do Norte indicaram a maior queda na intenção de consumo, de 26,1%, ficando também com o menor indicador, em 59,5 pontos. A menor oscilação ocorreu no Nordeste, com queda de 4,6%, ficando com o segundo maior ICF, em 73,9 pontos. As famílias do Sul tiveram a maior intenção de consumo, com 79,1 pontos.

As famílias estão perdendo poder aquisitivo, segundo economista do Corecon-ES – Foto: Jhonatan Blendon

Emprego e Renda

Com relação ao quesito Emprego Atual, o indicador atingiu 89,3 pontos, uma queda de 9,5%, ficando no menor patamar da série histórica. Do total de entrevistados, 35% disseram se sentir tão seguros quanto no ano anterior, a maior proporção da série histórica; 31,5% estão menos seguros; 20,8% se sentem mais seguros com relação ao emprego e 12% declararam estar desempregados.

Na Renda Atual, houve recuo de 14,8% em 2021, alcançando 78,1 pontos, também o menor nível histórico. Entre os entrevistados, 40,6% declararam que a renda está pior do que no ano passado, 40,2% disseram ser igual e 18,8% melhoraram a renda.

Acesso ao Crédito

O Acesso ao Crédito registrou queda de 7%, ficando em 81,9 pontos. A compra a prazo ficou mais difícil para 42,2% dos entrevistados, mais fácil para 24,1% e permaneceu igual ao ano anterior para 17,9%.

O Nível de Consumo Atual alcançou o nível de 55,6 pontos, o menor nível desde 2017, após registrar queda de 7,9%. Do total, 57,8% das famílias consideraram que em 2021 o consumo foi menor do que em 2020; 28,7% disseram ter sido igual e 13,4% disseram que foi maior.

O indicador do Momento para Duráveis atingiu o nível de 43,2 pontos, o menor subíndice do ano e da série histórica, com queda de 20,1%. O momento está negativo para comprar esse tipo de produto para 75,8% das famílias e para 19% o momento é bom.

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