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quinta-feira, 27 janeiro, 2022

Tecnologia capixaba atrai investidores do Brasil e exterior

A união de diferentes agentes do setor em um planejamento robusto, tem resultado em significativas conquistas para o setor

Por Luciene Araujo e Marcelo Rosa

Sim, não se trata de exagero afirmar que o Espírito Santo é conhecido mundialmente quando o assunto é ciência e tecnologia. Primeiro, por intermédio do professor doutor Alberto Ferreira De Souza, com o projeto Iara (Intelligent Autonomous Robotic Automobile): o carro autônomo capaz de realizar uma viagem de 68 Km, de Vitória a Meaípe, em Guarapari. Mas os destaques capixabas não param por aqui. Há muita gente fazendo a diferença em soluções tecnológicas para variados setores.

Findeslab hitou!

O Findeslab, desde seu lançamento em 2020, atua para facilitar o acesso das indústrias do Espírito Santo à inovação e apoiar o setor nesse processo. Ao todo, mais de 1.200 oportunidades de inovação mapeadas, de programas próprios e de terceiros.

Dessas mais de 300 estruturadas para captação de recursos, 53 captaram investimento e estão em andamento. E 46 projetos foram concluídos com resultados relevantes para o ecossistema e empresas. Números que justificam a expressão Hitou, utilizada por internautas quando algo alcança sucesso com sua ação.

Idealizado pela Findes, o Findeslab conta com operação do Senai, “Em um momento de retomada da economia, torna-se essencial trazer mais competitividade às indústrias. O Espírito Santo foi classificado como o 5° Estado mais competitivo do país, de acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado anualmente pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Temos tido muitos avanços na inovação capixaba. E o Findeslab é, de fato, uma porta aberta para quem quer inovar!”, ressalta a presidente da Findes, Cris Samorini.

Foto: Senai

Programas de inovação

A mudança de visão dos atores promotores do desenvolvimento tecnológico e inovador foi um marco para o ecossistema de inovação. Um bom exemplo foi o Sindicato das Empresas de Informática (Sindinfo), que mudou o seu modelo de atuação e agora é a Associação Capixaba de Tecnologia (Act!on). O objetivo foi ampliar a atuação no setor, fomentar e apoias as Startups e conectar os atores promotores da inovação.

A associação reúne Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapes), academia, Findes, Bandes, Iel e Governo como parceiros. E essa união promoveu editais, cursos e rodada de investimentos em fundos de participações, que atraíram olhares de investidores às empresas de tecnologia do Estado. Uma mudança de conceito que obrigou as empresas a amadurecer e repensar seus modelos de negócios para se tornarem mais competitivas no mercado.

Ações estratégicas, como o Portfólio de Ferramentas Tecnológicas, desenvolvido pela Act!on, reuniram soluções inovadoras que foram ofertadas para as indústrias e o mercado. Uma conexão que aproximou as dores dos empresários com a capacidade das empresas de tecnologia em desenvolver as soluções para as demandas do mercado. E aqui pode-se citar distritos inovadores de Serra, Vitória e João Neiva, entre outros.

Mais de 1.200 oportunidades de inovação mapeadas, de programas próprios e de terceiros. Foto: Findes

O edital Sesi Tech, lançado em busca de soluções inovadoras, em processos e produtos, direcionadas para Saúde e Segurança do Trabalho (SST), garantiu mais de R$ 2 milhões de recursos não reembolsáveis para o desenvolvimento das 11 projetos selecionados.

Outra iniciativa Findeslab foi o terceiro ciclo do Programa de Empreendedorismo Industrial 2021, que conecta desafios de grandes empresas a propostas de solução de startups de todo País. O Programa lançou 18 desafios de nove grandes empresas e serão selecionados até dois projetos por cada empresa. Há cerca de R$ 6 milhões em recursos, provenientes de parcerias, para financiar o desenvolvimento dos projetos selecionados para a terceira edição do Programa.

Por sua vez, o “Conexões Findeslab”, é um projeto piloto que faz parte da Plataforma Inovação para a Indústria, na categoria Startup.Tech, do Senai Nacional. A chamada de inovação, no modelo aberto, busca conectar soluções ofertadas por startups a demandas de empresas industriais.

Serão contemplados sete projetos de Provas de Conceitos (POC), sejam de produto, processo, serviço ou modelo de negócio inovador, conforme as diretrizes da categoria. Cada desafio selecionado receberá até R$ 125 mil em recursos financeiros para desenvolvimento do projeto.

Foto: Divulgação

Modernização do IST

Uma indústria cada vez mais tecnológica, produtiva e competitiva. Essa é uma das premissas da Quarta Revolução Industrial pela qual o setor produtivo está passando. Esse novo momento, chamado de Indústria 4.0 ou manufatura avançada, baseia-se em sistemas cyberfísicos, internet das coisas e internet de serviços, buscando a conectividade e a interoperabilidade entre máquinas, pessoas e processos industriais.

Atento a essa necessidade, o Instituto Senai de Tecnologia em Eficiência Operacional (IST EO) passa por um processo de ampliação e modernização de sua estrutura, hoje localizado no Senai Vitória. O objetivo é apoiar as indústrias do Espírito Santo e do País na transição para esse novo patamar, integrando seu conhecimento em tecnologia com a competência do Senai em formação de mão de obra especializada.

Para isso, serão utilizados fundamentos metodológicos baseados na formação por competência e uso de metodologias ativas, como gamificação, aprendizagem baseada em projetos, sala de aula invertida e projetos integradores. Com plantas de manufatura avançada e de processo contínuo, equipados com robôs colaborativos e centros de usinagem high speed, a nova estrutura será referência na formação de mão de obra qualificada, transferência de tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Os primeiros passos da ampliação foram dados em julho último, com a inauguração do bloco de Tecnologia da Informação e Automação do Instituto Senai de Tecnologia, que oferece cursos de formação nas áreas de tecnologia da informação com foco em segurança cibernética e desenvolvimento de sistemas, gestão industrial, instrumentação, automação e mecatrônica. O complexo inclui mais de 3 mil metros quadrados, com 20 laboratórios, salas de aula, salas de treinamento, biblioteca, videoteca e auditório.

Fonte: Findes

Projeto ainda no papel

Trinta anos após o início das discussões em torno da necessidade de implantação de um Centro de Inovação Tecnológica, em Vitória, a capital do Espírito Santo terminou 2021 sem contar com o serviço.

No segundo ano da pandemia do Coronavirus, a CDTVIT não teve como avançar muito no convênio firmado, desde 2010, entre Prefeitura e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, explica a diretora presidente da Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória, Camila Dalla Brandão.

“Aproveitamos o primeiro ano da atual administração para fazer uma repactuação do plano de ação, com vistas a viabilizar a instalação do Centro que, a meu ver, será o coração do Parque Tecnológico de Vitória”, esclareceu Camila. Ela acrescenta que a próxima etapa é tratar dos processos de licitação para a compra de mobiliário e equipamentos, por exemplo, destinados ao serviço que deverá funcionar, em Goiabeiras, na capital. Para isso, a PMV conta com R$ 3 milhões repassados pelo Ministério.

“A nossa expectativa é de que o Centro de Inovação esteja em funcionamento, no máximo, até agosto, oferecendo apoio à startups, outros tipos de empresas de base tecnológica, networking e muito mais”, adiantou a diretora presidente do CDTVIT.

Por outro lado…

O DataLab ficou para 2022. Embora a Findes tenha anunciado as obras para o período de setembro a dezembro deste ano, ainda está em processo de licitação a construção no oitavo andar da sede da Federação, em Vitória. O centro de inteligência reunirá profissionais qualificados para a produção de estudos e pesquisas e embasará estratégias de atração de investimentos para desenvolver a economia capixaba. A previsão da Findes é iniciar e concluir as obras ainda no primeiro semestre de 2022, entrando em operação na sequência.

O projeto contará com a expertise do Ideies, Senai, Sesi, IEL e Cindes, reunindo técnicos qualificados para estudos econômicos. Tudo em sintonia com a agenda de transformação digital da Findes, já consolidada na Federação com o Findeslab, hub totalmente integrado, ao ecossistema de inovação no Estado.

Só em equipamentos de tecnologia, como computadores e painéis interativos, serão investidos mais de R$ 750 mil. O trabalho desenvolvido nos últimos anos, por meio do Ideies, fortaleceu a geração de dados e informações no Espírito Santo.

Situação inusitada

A Mogai encontra-se numa situação, no mínimo, inusitada: tradicionalmente, é uma empresa que desenvolve e vende tecnologia. Só que, há alguns anos, segundo o CEO, Franco Machado, passou de elaboradora de projetos sob medida para grandes empresas à fornecedora de produtos prontos aos clientes.

A empresa, então, resolveu mudar a forma de comercialização da HammerHead, a câmera 3D fabricada por ela. Aluga esse equipamento que coleta os dados e o software que organiza e avalia as informações. E ainda, oferece o serviço de técnicos especialistas em processamento desses dados.

“Assim, o cliente não precisa mais ter os técnicos presencialmente em suas instalações. E o curioso é que criamos a tecnologia para transformar o trabalho de nossos clientes e acabamos transformando a nós mesmos”, analisa o executivo.

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