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Coquetelaria discute tendências para os próximos anos

Rodrigo Farias “Perdigão” e Gustavo Oliveira falam sobre hospitalidade, tendências da coquetelaria, inteligência artificial e a construção de experiências nos bares capixabas

Por Nathanael Rodor

A coquetelaria vive um momento de transformação, mas algumas premissas continuam inalteradas: técnica, hospitalidade e conexão humana. Esses foram alguns dos temas discutidos pelos bartenders Rodrigo Farias Perdigão e Gustavo Oliveira em participação no Café com Moqueca. Com trajetórias diferentes, os dois compartilharam experiências sobre a evolução do mercado, o crescimento da cultura dos drinks autorais e o papel do bartender como mediador de experiências e relacionamentos.

Ao longo da conversa, Gustavo relembrou sua entrada no setor após abandonar a graduação em Geografia para se dedicar ao universo dos bares. Hoje à frente da coquetelaria do Empório Joaquim, ele destacou a importância da disciplina e da formação contínua em uma profissão que exige estudo permanente. Já Perdigão, com quase três décadas de experiência, abordou a evolução do mercado capixaba e o amadurecimento da cena local, impulsionada por profissionais especializados e estabelecimentos que passaram a investir em identidade própria e qualidade.

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Os bartenders também falaram sobre tendências da coquetelaria mundial, como a permanência do Negroni entre os drinks mais consumidos do planeta e a crescente valorização de ingredientes regionais. Durante o bate-papo, Perdigão defendeu que o Espírito Santo tem potencial para desenvolver referências próprias na área, assim como outras regiões do mundo fizeram com seus coquetéis emblemáticos. Entre os exemplos citados está um drink criado a partir de elementos típicos da culinária capixaba, como urucum, coentro e limão, em busca de uma identidade local para a coquetelaria.

Outro tema abordado foi o avanço da inteligência artificial e da automação no setor. Embora reconheçam o potencial da tecnologia para organização de processos, documentação e gestão operacional, ambos avaliam que a experiência proporcionada pelo bartender continua insubstituível. Para eles, a construção de vínculos, o atendimento personalizado e a capacidade de transformar um drink em uma experiência são fatores que nenhuma máquina consegue reproduzir integralmente.

Ao refletirem sobre o papel dos bares na vida urbana, os convidados destacaram que o balcão funciona como um espaço de encontro, troca de conhecimento e construção de conexões. Mais do que servir bebidas, o bartender atua como anfitrião de histórias e experiências. Em um cenário marcado por mudanças de comportamento e novos hábitos de consumo, a avaliação dos dois profissionais é que a qualidade da experiência continuará sendo o principal diferencial dos estabelecimentos que desejam se destacar nos próximos anos.

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