Volatilidade no Estreito de Ormuz pressiona inflação, mas pode elevar arrecadação de royalties no Estado, segundo maior produtor do Brasil
Por Amanda Amaral
Após ofensiva militar dos Estados Unidos, Israel e Irã – que tem saldo de mortes de, ao menos centenas de pessoas, incluindo o seu líder supremo Ali Khamenei, o preço do petróleo no mercado internacional disparou nesta segunda-feira (02).
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, comentou que o Oriente Médio sempre preocupa o Estado. “Porque nós somos produtores de petróleo, a gente produz outros tipos de produtos que são afetados pela economia mundial, mas a gente pode ter pressão sobre taxas estacionárias, então sempre nos preocupa. Mas o que mais nos preocupa é a incapacidade de líderes mundiais estabeleceram um diálogo e buscar a solução desses conflitos”, disse hoje ao anunciar sua renúncia para disputar as próximas eleições para Senador.
Para o diretor-geral do Instituto Jones Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, esses ataques impactam economicamente em uma primeira instância no preço do petróleo. Nesta segunda-feira (02), o petróleo já reagiu com alta e volatilidade diante do risco de interrupção no fluxo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do mundo.
Esse movimento tende a impactar países como o Brasil e, em especial, estados produtores como o Espírito Santo, explica Pablo Lira. Recentemente, o Espírito Santo voltou a ocupar a segunda posição no ranking nacional de produção de petróleo.
“De um lado, o aumento do petróleo no mercado internacional tende a pressionar combustíveis e custos logísticos no Brasil, o que pode resultar no aumento dos preços para os consumidores finais. De outro, como segundo maior produtor nacional de petróleo, o ES também pode experimentar efeitos positivos sobre receitas, investimentos e dinamismo da cadeia de óleo e gás. Ainda é cedo para ter um detalhamento dos impactos. Seguimos acompanhando os desdobramentos de mais uma frente de conflito geopolítico da contemporaneidade”, explicou Lira.
O cenário econômico global enfrenta um momento de forte instabilidade devido à escalada das tensões internacionais e intervenções militares, o que tem alterado drasticamente a psicologia dos agentes econômicos, segundo o presidente do Conselho Regional de Economia no Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão.

O economista destaca que, a crise no Oriente Médio, com foco na ameaça ao Estreito de Ormuz, já provoca a valorização do barril de petróleo. Para o Espírito Santo, os reflexos são diretos na visão de Paixão. “Qual é a atitude de um agente econômico quando as suas expectativas se alteram negativamente? Fica conservador. O petróleo já subiu 10% barril de petróleo. Isso vai chegar na bomba de gasolina, vai chegar também no diesel, que faz parte da do ciclo logístico”, analisou.
Embora o Espírito Santo ostente o posto de segundo maior produtor de petróleo do Brasil, o estado não está imune à crise, segundo Paixão. “Isso ocorre porque o óleo extraído localmente possui características que elevam o custo de refino para a produção de gasolina e derivados. Como o Brasil ainda depende da importação de petróleo de outras qualidades para o abastecimento interno, a produção estadual não garante autossuficiência imediata frente ao choque de preços internacional”, explicou.

