
A gestão de pessoas ganhou voz e vez nas mesas de decisão, liderando temas como saúde mental, cultura organizacional, diversidade e inovação
Por Neidy Christo
O ano de 2025 foi um marco para a gestão de pessoas. Em um mundo cada vez mais digital, incerto e acelerado, as organizações se viram diante da urgência de humanizar processos, repensar perfis de lideranças e recolocar as pessoas no centro das decisões.
Também foi um ano de grandes aprendizados para nós, da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo (ABRH-ES). Em 40 anos de história, tivemos que nos reinventar para fomentar o aprendizado contínuo, fortalecer redes e inspirar líderes a construírem organizações mais humanas e inclusivas.
Ao longo dessas quatro décadas, vimos a área de RH deixar de ser operacional para se tornar estratégica, com papel protagonista nas transformações do mundo corporativo. E, em 2025, essa transição se consolidou.
A gestão de pessoas ganhou voz e vez nas mesas de decisão, liderando temas como saúde mental, cultura organizacional, diversidade e inovação. As empresas compreenderam que não há crescimento sustentável sem pessoas engajadas, e que o capital humano é, de fato, o ativo mais importante de qualquer negócio.
Foi também o ano em que a tecnologia e a inteligência artificial se tornaram aliadas definitivas da gestão. As ferramentas digitais assumiram tarefas repetitivas, abrindo espaço para que profissionais e líderes se dedicassem àquilo que nenhuma máquina é capaz de fazer: pensar estrategicamente, conectar pessoas e inspirar propósito. Em meio a tanta automação, descobrimos que o verdadeiro diferencial competitivo está nas habilidades humanas, como empatia, escuta, colaboração, adaptabilidade e ética.
Outro ponto que marcou 2025 foi a atualização da Norma Regulamentadora 01 (NR-01), que ampliou as exigências para incluir a gestão de riscos psicossociais no trabalho, aumentando as discussões sobre bem-estar e segurança psicológica no ambiente organizacional.
O burnout deixou de ser tabu e passou a ser pauta de liderança. As empresas entenderam que saúde mental não é custo, mas investimento, e que ambientes saudáveis produzem mais, inovam mais e mantêm melhor seus talentos.
E o que esperar de 2026? Acredito que será o ano da “maturidade humana” nas organizações. Um período para consolidar tudo o que aprendemos e agir com maior coerência entre discurso e prática.
As empresas que vão prosperar serão aquelas que enxergarem o desenvolvimento das pessoas não como estratégia de RH, mas como estratégia de negócio e de sustentabilidade. Aquelas que compreenderem que liderar é cuidar, escutar, respeitar, incluir e criar ambientes onde as pessoas queiram — e possam — dar o seu melhor.
Entramos em um novo ciclo em que o desafio não é apenas acompanhar as mudanças, mas liderá-las com sensibilidade, coragem e propósito. Talvez esse seja o grande legado de 2025: entender que o futuro da gestão não será apenas digital. Será, acima de tudo, profundamente humano.
E a grande pergunta que fica é: quais atitudes precisamos abandonar e quais precisamos assumir para conquistar um RH estratégico e liderar de forma ainda mais humana em 2026?
Neidy Christo é presidente da ABRH-ES, doutoranda em Administração e consultora em Desenvolvimento Humano
Esse artigo é uma republicação da Edição 231 da Revista ES Brasil – Retrospectiva 2025 – Leia aqui

