Produto capixaba teve alta nas vendas ao exterior de mais de 1.700% em valor. Avicultura, entretanto, tem evolução cautelosa
Por Kebim Tamanini
A avicultura do Espírito Santo ampliou a presença no mercado externo em 2025. Com 16 milhões de galinhas poedeiras, as exportações de ovos renderam mais de US$ 8,1 milhões no primeiro semestre, com alta de 1.788% em relação ao período de janeiro a julho do ano anterior. Os dados são da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) a partir da plataforma do governo federal Comex Stat.
O resultado consolidou o item entre os 10 produtos mais exportados do agro estadual, algo inédito na série histórica, e foi impulsionado sobretudo pelos Estados Unidos. O país da América do Norte enfrenta dificuldades com sua produção em virtude de surtos sucessivos de gripe aviária (H5N1), culminando em escassez de ovos.
O diretor-executivo da Associação dos Avicultores do Espírito Santo (Aves), Nélio Hand aponta que, apesar da efemeridade, é necessário cautela. Isso porque o crescimento da produção em 2025 pode ser considerado tímido – deve encerrar o ano com alta próxima de 2% em comparação a 2024.
“Estamos crescendo dentro das possibilidades do mercado e buscando manter competitividade frente a outros Estados. Seguimos entre os maiores produtores do país, com Santa Maria de Jetibá como líder nacional. Mas estamos muito atentos à competitividade e ao ambiente tributário”, reforçou o diretor.
Aves abatidas
No caso do frango de corte, outro item da avicultura, o Estado embarcou 1,8 mil toneladas no primeiro semestre, movimentando US$ 3,5 milhões, com Hong Kong absorvendo 82% do volume, segundo a Seag. É uma redução de 16,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando a exportação de 1,9 mil toneladas gerou US$ 4,2 milhões.
Entretanto, o desempenho do item também se destaca no Espírito Santo e registrou crescimento produtivo de cerca de 15% no acumulado até setembro. Somente em 2024, foram abatidas mais de 55 milhões de aves, resultando em 135 mil toneladas de carne.
Hand ressalta que o setor capixaba também tem sido mais prudente quanto ao produto. “Vivemos anos de custos elevados e perda de competitividade frente a outros Estados. Isso fez com que o produtor ficasse mais conservador antes de ampliar investimentos”, afirmou.
Expectativa
O setor de avicultura entra em 2026, no entanto, com atenção principalmente por duas situações. O número de alojamentos de pintainhas — filhotes fêmeas, essenciais para a reposição do plantel — caiu ao longo do ano, indicando que o ano que vem poderá registrar menor volume de produção.
O outro ponto é que há a necessidade de reforçar a biosseguridade diante do risco da Influenza Aviária — embora nenhum caso tenha sido registrado em granjas comerciais do Espírito Santo.

