Apesar da alta nos ovos e verduras, o preço do peixe recua 8,6% no atacado e podem compensar custos da torta capixaba no Espírito Santo
Por Amanda Amaral
Apesar do aumento no preço dos ovos e verduras, houve queda no preço dos pescados e de outros itens de atacado, o que pode compensar o custo com as celebrações da Páscoa e a produção da torta capixaba, prato tradicional do Espírito Santo consumido, principalmente, durante a Semana Santa.
Já o preço dos pescados apresentou queda, mesmo diante da Quaresma, em que muitas famílias optam por substituir a carne por outras opções de proteína. De acordo com a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em relatório referente a fevereiro de 2026, o índice de preços caiu no geral -2,97% na comparação mensal.
No mesmo período do ano passado, o indicador havia apresentado alta de +2,55%. Ante a performance de pescados (-8,6%), apresentaram elevação Diversos (5,98%), puxado pelos ovos, e Verduras (+11,09%), maior crescimento no preço da couve (+56,2%). Os demais setores apresentaram queda.
“A redução de preços observada na Ceagesp indica que a oferta elevada, especialmente oriunda do crescimento da aquicultura nacional e da produção de tilápia, foi capaz de absorver o choque de consumo”, disse a economista do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Adriana Rigoni.
Ovos
Para ela, soma-se ao fato, uma mudança nos hábitos das famílias, que optam por pescados mais acessíveis ou congelados em detrimento de itens importados como o bacalhau, o que contribui para estabilizar o preço médio no mercado atacadista.
Já a demanda por ovos foi impulsionada por essa época do ano, o que fez o preço do ovo branco subir 25,20% e o vermelho +25,78%, comparado ao mês anterior, segundo a Ceagesp. Adriana Rigoni destaca ainda que a alta do produto foi significativa em diversas regiões no início de 2026.

“Por ser a proteína animal de menor custo, o ovo sofre um efeito duplo de renda e substituição quando as famílias ajustam seus orçamentos alimentares. Como a oferta de ovos não possui a mesma velocidade de reação que a demanda no curto prazo, a procura acelerada durante a Quaresma acaba gerando um desequilíbrio que se traduz em aumentos rápidos de preços, consolidando o produto como um dos principais pontos de pressão inflacionária no cesto de consumo imediato”, analisou a economista.
Semana Santa
Na opinião de Adriana Rigoni, o quadro apresentado pela Ceagesp reforça a tese de que a inflação de alimentos é profundamente dependente das condições de oferta, superando as flutuações sazonais de consumo, já que o índice caiu quase 3% em plena Quaresma, o que demonstra uma robustez na produção agrícola e na recomposição de estoques.
“Para o consumidor, especialmente o capixaba que se prepara para a tradicional torta da Semana Santa, o cenário indica que, embora itens específicos como ovos e verduras exijam cautela no orçamento, a diversificação da oferta de pescados e a queda nos preços de atacado de legumes e frutas podem oferecer um alívio estratégico no custo final da celebração”, concluiu.

