Especialistas apontam avanços do turismo capixaba, investimentos e o novo posicionamento do Estado no mercado nacional e internacional para a alta do verão
Por Thamiris Guidoni
O Espírito Santo vai entrar no verão de 2026 impulsionado por investimentos em infraestrutura, promoção turística, expansão da malha aérea, qualificação profissional e uma articulação mais madura entre governo e trade. O setor vive um momento de reposicionamento, passando de destino regional pouco explorado para produto competitivo, bem avaliado e visto como nova oportunidade pelas principais operadoras do país.
Durante o ES Brasil Debate – Especial Destinos ES, Paulo Maia, diretor do Sindicato de Hotéis e Meios de Hospedagem do Estado do Espírito Santo (Sindihotéis), Fernando Otávio, Secretário de Turismo de Guarapari e Raimundo Nonato, presidente da Câmara Empresarial do Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) discutiram o cenário atual, os desafios e as perspectivas para o Estado.
Para Paulo Maia, os avanços recentes mudaram a percepção de mercado sobre o Espírito Santo.
“Eu acredito que agora, com tudo que vem acontecendo de investimento em mídia e em infraestrutura, o Estado está mais do que preparado para receber esse turista regional e o nacional, que vai movimentar ainda mais as cidades e o Estado”, avaliou.
Ele reforçou que o capixaba tem vocação natural para receber bem e que hotelaria e gastronomia estão investindo cada vez mais em qualificação. Para Maia, isso ajuda a quebrar o antigo estigma de que o morador do Estado não recebe turistas com entusiasmo, algo que, segundo ele, ocorre apenas quando a visita acontece de surpresa, sem planejamento.
Visibilidade nacional e internacional
O secretário Fernando Otávio destacou o impacto direto das ações de promoção realizadas pelo Estado em parceria com Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Fecomércio, Conselho Estadual de Turismo (Contures) e operadoras de turismo. Para ele, a vitrine conquistada não é acidental, mas resultado de estratégia.
“O investimento do Estado foi justamente o de nos colocar na prateleira, de mostrar o quanto estamos preparados, não apenas para o turista nacional. Já temos relevância na recepção de visitantes internacionais, cerca de 10% da nossa movimentação”, afirmou.
Segundo ele, o Espírito Santo deixou de ser apenas o “descubra” e se tornou o “novo produto desejado” para operadoras, agências e companhias aéreas. A ida constante do trade capixaba a eventos, feiras e capacitações no Brasil e no exterior tem acelerado o processo.
Infraestrutura e segurança como diferenciais
Já para Raimundo Nonato, o Espírito Santo evoluiu de maneira consistente em diversas áreas, não apenas no turismo. E isso explica a crescente confiança de operadores, investidores e visitantes.
“Cada ano que passa a gente vai evoluindo. Nós temos excelentes estradas, umas das melhores do país. Quando você cruza a divisa, percebe a diferença. Temos também segurança pública. Somos um dos estados mais seguros do país”, destacou.
Ele lembra que, além da rede hoteleira fortalecida e da qualidade da gastronomia, o Estado tem um diferencial importante: acesso multimodal. Há boas rodovias, um aeroporto moderno, crescimento das conexões aéreas, expansão da oferta marítima e até transporte ferroviário, ainda pouco comum no Brasil para viagens de passageiros.
O debate também apontou que o turismo tem papel cada vez maior na economia capixaba, movimentando mais de 50 atividades produtivas. Mas os especialistas foram unânimes ao afirmar que o crescimento do Estado é diversificado: indústria forte, agro consolidado, produção de alimentos, rochas ornamentais e novos polos de investimentos.
Com a reforma tributária entrando em vigor, o setor deve ganhar ainda mais relevância no equilíbrio econômico do Estado.
Os participantes também discutiram se a estrutura atual é suficiente para o aumento da demanda provocado pela maior exposição do ES. Para Fernando, a resposta é sim, e com margem.
Ele afirmou que o Estado consegue crescer até 30% ao ano de forma sustentável, principalmente com novos empreendimentos chegando. O primeiro resort do Espírito Santo, no complexo China Park, é um marco, e outros investimentos privados já estão previstos. A ampliação de espaços para eventos e feiras também deve estimular mais ocupação hoteleira.
Além disso, os três reforçaram que o Estado vive um momento de rara oportunidade: é visto como um novo destino, mas já chega ao mercado como destino pronto. Isso atrai interesse imediato de operadoras, que buscam produtos estruturados e experiências autênticas.
Eles afirmaram que o Espírito Santo tem condições de atrair turistas de alta renda, especialmente argentinos, que chegam ao Brasil em grande volume. Para isso, o Estado aposta na diversidade de produtos: praias, montanhas, natureza, gastronomia, experiências premium e resorts em expansão.
A conexão aérea direta ou fretada com mercados específicos é vista como ponto decisivo para acelerar esse tipo de turismo.
Raimundo, Fernando e Paulo resumiram o que o visitante pode esperar no verão de 2026 no Espírito Santo. “O turista vai ter uma experiência diferente de tudo o que já viveu: gastronomia, cultura, natureza, do mar às montanhas em poucas horas. Isso não tem preço”, disse Nonato.
Já Fernando Otávio reforçou a paixão. “Quem conhece o Espírito Santo se apaixona e não consegue mais deixar de vir. É possível viver um pedaço do Brasil inteiro num espaço pequeno e de trajetos curtos.”
Paulo Maia enfatizou a variedade de atrativos. “Tem mar, montanha, história, gastronomia e 410 km de litoral. O turista vem e cria boas memórias, boas experiências. É isso que vamos entregar.”

