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ES fortalece avicultura com alta produtividade e gestão sanitária

Com 5,2 bilhões de ovos de galinha produzidos em 2024, estado lidera no Brasil e prepara setor para ampliar a competitividade nacional e internacional

Por Pedro Henrique Oliveira

O Espírito Santo tem se destacado como um dos principais polos da avicultura nacional, impulsionado pela liderança na produção de ovos de galinha e de codorna, avanços tecnológicos, investimentos em sustentabilidade e atenção constante à segurança sanitária.

Em 2024, o estado atingiu a marca de 5,2 bilhões de ovos de galinha produzidos, o equivalente a uma média de 14,35 milhões de ovos por dia. O crescimento de 13,2% em relação ao ano anterior demonstra a força da atividade, mesmo após os impactos da crise de custos que atingiu o setor no início da década.

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ES fortalece avicultura com alta produtividade e gestão sanitária
Nélio Hand explica que a queda na produção de carne de frango em 2024 relaciona-se aos custos de produção e à concorrência com produtos de outros estados, beneficiados por vantagens tributárias – Foto: Divulgação/Aves

“Temos mais de 9% da produção nacional de ovos de galinha, e na produção de ovos de codorna o estado se destaca como maior produtor brasileiro”, afirma Nélio Hand, diretor- executivo da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (Aves). Em relação aos ovos de codorna, o volume também cresceu 8,1% e chegou a cerca de 1,7 bilhão de unidades em 2024.

Boa parte desse desempenho está concentrada no município de Santa Maria de Jetibá, que responde por 92% da produção capixaba de ovos. “Santa Maria se destaca como o maior município produtor de ovos do país, segundo dados do IBGE. Isso se deve à cultura pomerana local, que tem uma afinidade muito grande com a atividade, além do clima e da topografia, que favorecem a produção”, explica Hand.

Apesar do bom desempenho na avicultura de postura, a produção de carne de frango registrou leve retração em 2024. Foram 131 mil toneladas de carne de frango produzidas, uma queda de 2,3% em relação a 2023. “O segmento vinha mantendo sua produção de forma constante, mas registrou esse recuo no último ano”, aponta o diretor da Aves.

Segundo ele, a queda está relacionada aos custos de produção e à convivência com preços menores, “especialmente em razão da concorrência desleal da entrada de produtos de outros estados, que possuem vantagens, inclusive tributárias, que por aqui não possíveis de serem praticadas”.

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Desafios persistem

A logística e o acesso a novos mercados também são desafios enfrentados pelos avicultores. “São dificuldades recorrentes, e a associação atua junto ao poder público e órgãos competentes para buscar soluções. Também trabalhamos junto ao setor produtivo para que ele se torne mais eficaz e valorizado no mercado”, esclarece Hand.

A sanidade é um ponto de atenção constante após o surgimento da influenza aviária no Brasil. Embora não tenham sido registrados casos em granjas comerciais no estado, a Aves segue orientando produtores sobre medidas de biossegurança e participa de comitês estaduais e nacionais voltados ao tema.

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Planejamento para 2025

Para 2025, a Aves estrutura um plano de trabalho que contempla frentes como sanidade, inspeção industrial, questões tributárias e trabalhistas, logística, nutrição animal, sustentabilidade e comunicação. Um dos focos é o fortalecimento da defesa animal e a promoção de capacitações técnicas.

“Realizamos recentemente um seminário em conjunto com a Associação dos Suinocultores do ES (Ases) para discutir os desafios atuais da mão de obra. Também acompanhamos a implementação da nova portaria de ovos (Portaria SDA/MAPA nº 1.179/2024) e atuamos diretamente com estabelecimentos de abate e de beneficiamento”, destaca Hand.

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Outro destaque é a realização da Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba (Favesu), prevista para 2026. O evento bienal reúne produtores, técnicos, lideranças e especialistas, e é considerado uma das principais vitrines do setor no estado. “A Favesu é um momento essencial para impulsionar o desenvolvimento da nossa avicultura e ampliar as conexões com o mercado nacional e internacional”, comenta Hand.

Estratégias de prevenção

O Espírito Santo reforçou as estratégias de prevenção à gripe aviária após a confirmação do primeiro foco da doença em uma granja de matrizes no Rio Grande do Sul, em maio. A resposta foi imediata: o Comitê Gestor de Enfrentamento à Influenza Aviária alinhou novas medidas de proteção ao plantel capixaba.

Com foco no reforço das barreiras sanitárias, o Idaf intensificou as fiscalizações em granjas e realizará um novo treinamento para médicos-veterinários do quadro atual e recém-concursados.

O monitoramento das áreas costeiras também foi ampliado. O Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) está à frente da articulação com instituições que monitoram praias e ilhas, com o objetivo de unificar a comunicação de casos suspeitos em aves marinhas e agilizar as ações em caso de confirmação de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP).

ES fortalece avicultura com alta produtividade e gestão sanitária
Estado reforçou medidas de prevenção à gripe aviária após o registro de um caso em granja no Rio Grande do Sul – Foto: Divulgação/Uniaves

Vigilância e prevenção

Embora o Espírito Santo tenha registrado apenas um foco de gripe aviária em aves de subsistência e 36 casos em aves silvestres desde 2023, a preocupação com a prevenção é constante. Segundo o biólogo e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Edson Delatorre, “o risco atual de introdução do vírus H5N1 na avicultura comercial do estado é considerado baixo, mas não é desprezível”.

Ele explica que, apesar de não haver impactos na produção comercial e no consumo de ovos ou carne, o vírus pode trazer prejuízos econômicos e restrições comerciais, caso se espalhe por granjas comerciais. “Mesmo com os desafios, o estado tem conseguido manter a avicultura comercial livre da doença, o que mostra que o setor está atento e vem fazendo sua parte”, conclui o biólogo.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui. 

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