Setor privado e entidades representativas projetam o Espírito Santo como referência nacional no comércio exterior

Por Sidemar Acosta
O comércio exterior é a principal porta de entrada do Espírito Santo para o mundo. É dele que vem grande parte da nossa força econômica, da geração de empregos e da capacidade de atrair investimentos. Nossa vocação logística, construída ao longo de décadas, transformou o estado em referência nacional e em um parceiro confiável para mercados estratégicos.
De janeiro a agosto de 2025, o comex capixaba movimentou US$ 15,6 bilhões em sua corrente de comércio. Foram US$ 6,5 bilhões em exportações e US$ 9,1 bilhões em importações que resultaram na 8ª posição nacional no ranking de importações no mês de agosto.
Esses números refletem a força da nossa economia e a vocação logística do Espírito Santo. Nosso estado é um dos principais hubs logísticos do Brasil e investimentos recentes em Portocel, VPorts e no Terminal de Vila Velha ampliaram a capacidade e a eficiência operacional, fortalecendo ainda mais essa vocação.
Ao lado da infraestrutura, contamos com uma base sólida de equilíbrio fiscal e com benefícios tributários que tornam o ambiente de negócios capixaba um diferencial. Essa combinação de logística eficiente, competitividade tributária e alinhamento entre poder público, setor privado e entidades representativas projeta o Espírito Santo como referência nacional no comércio exterior.
Mas sabemos que é preciso avançar. Para garantir maior integração logística, é essencial fortalecer a intermodalidade, conectando portos, rodovias e ferrovias. Nesse sentido, iniciativas como o ParkLogBR/ES – uma política de estado de longo prazo, proposta pelo governo estadual, que prepara o ES para o futuro – representam um passo estratégico para reduzir custos, aumentar a eficiência e atrair novos investimentos. Com ele, consolidamos o Espírito Santo como um hub logístico capaz de competir com complexos como Santos e Santa Catarina.
Em 2025, enfrentamos novos desafios como a taxação de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Embora preocupante num primeiro momento, a inclusão de itens estratégicos entre as isenções representou um alívio para setores de grande presença no estado. O momento exige equilíbrio e cautela: defendemos que o governo federal mantenha o diálogo aberto com autoridades americanas, evitando retaliações precipitadas e preservando a previsibilidade jurídica das exportações.
Aqui, o Sindiex reafirma seu papel. Seguiremos atuando em conjunto com governos e entidades empresariais para acompanhar os impactos, apresentar propostas e garantir a competitividade das nossas empresas. O comércio exterior capixaba não pode ser penalizado em disputas comerciais globais; pelo contrário, precisa ser protegido e valorizado.
Nesse cenário, iniciativas de planejamento estratégico ganham ainda mais relevância. O Recomex-ES, conselho criado pelo Sindiex em 2024 para garantir a atividade econômica no pós-2032, foi recentemente reconhecido nacionalmente como boa prática pela CNC, entre mais de 750 iniciativas em todo o Brasil. Um espaço de visão de longo prazo, colaborativo e estratégico, que coloca nosso estado em posição de protagonismo nacional.
Nós, no Sindiex, acreditamos que o comércio exterior é vetor essencial de desenvolvimento econômico e geração de empregos e, por isso, queremos garantir que o Espírito Santo siga crescendo com segurança, planejamento e visão global, ampliando sua relevância no futuro do comércio internacional e consolidando-se como polo logístico de excelência no Brasil e no mundo.
Sidemar Acosta é presidente do Sindiex.

