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A revolução silenciosa do café no Espírito Santo

Mudanças climáticas, inovação genética e práticas sustentáveis estão redesenhando a cafeicultura no ES

Por Ludmila Azevedo

Poucos produtos representam tão bem o Espírito Santo quanto o café. Do conilon às variedades arábicas, o grão é parte fundamental da economia e da identidade capixaba.

Mas o café não é mais o mesmo. Alterações no regime de chuvas, ondas de calor extremo e o avanço tecnológico estão transformando profundamente a forma como se planta, colhe e até onde se cultiva café no estado.

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“A cafeicultura vive hoje um momento de grande transformação. As tecnologias estão chegando mais rápido e o clima está exigindo cada vez mais preparo e adaptação”, sintetizou o doutor em Engenharia Agrícola e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) campus Itapina, Gustavo Soares de Souza.

Um dos grandes marcos recentes no café capixaba é a mecanização, sobretudo no cultivo do conilon. A adoção das chamadas colhedoras automotrizes está mudando completamente o cenário, especialmente no norte e noroeste do Espírito Santo, onde essa cultura predomina.

Até poucos anos atrás, a colheita era principalmente manual ou semimecanizada, utilizando máquinas menores que exigiam mais mão de obra. Hoje, equipamentos mais modernos dominam o mercado, tornando a operação mais ágil e econômica e demandando menos braços.

“É um investimento, mas o produtor consegue reduzir muito o custo por saca colhida.

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Antes, falávamos em custos de R$ 40 a R$ 50 por saca. Com a mecanização, pode cair até pela metade”, completou o professor Gustavo.

Práticas sustentáveis em alta

Outro avanço relevante está no uso de bioinsumos, produtos biológicos feitos com microrganismos que ajudam a proteger as lavouras e a impulsionar a produtividade. Antes restritos ao cultivo da soja, hoje começam a ocupar espaço também na cafeicultura, sendo uma das apostas para tornar o setor mais sustentável e resiliente às mudanças climáticas.

“Hoje vemos produtores adotando microrganismos que controlam pragas e doenças ou que melhoram o sistema radicular das plantas. Uma planta com raiz mais desenvolvida é mais nutrida, mais resistente e produz mais”, explicou o especialista, acrescentando que esses produtos podem diminuir a necessidade de fertilizantes químicos, “o que é bom para o bolso e para o meio ambiente”.

A cafeicultura capixaba também avança em práticas ambientais mais sustentáveis, sob influência tanto das mudanças climáticas quanto da pressão do mercado. De acordo com o professor do Ifes, práticas de agricultura regenerativa têm se tornado mais comuns.

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Produtores estão usando plantas de cobertura entre as linhas de café, como braquiária e mambaça, para proteger o solo contra erosão e perda de nutrientes. “O solo bem cuidado é a base de tudo. Isso ajuda na produtividade, mas também na sustentabilidade do negócio”, reforçou o especialista.

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Outra prática bem-sucedida para o desenvolvimento das mudas de café é o paper pot, tipo de recipiente biodegradável que representa uma alternativa aos tubetes e sacolas plásticos.

Os estudos realizados na Fazenda Experimental do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) em Marilândia, indicam que o recipiente, descoberto em uma visita técnica a Porto Rico, ajuda a gerar mudas mais vigorosas e lavouras mais produtivas. Diferente dos tubetes plásticos, o material permite que as raízes cresçam livremente.

A revolução silenciosa do café no Espírito Santo
O pesquisador Abraão Carlos Verdin Filho afirma que as mudas de café conilon têm se tornado mais vigorosas com a ajuda do paper pot, recipiente biodegradável – Foto: Divulgação / Incaper

“Mudas com o recipiente têm o sistema de raízes muito bem estruturado, resultando em maior capacidade de absorção de água e nutrientes, maior resistência ao estresse no campo e mais rapidez para atingir o ponto comercial. É o que o Incaper está indicando aos produtores e viveiristas na produção de mudas clonais de conilon”, comentou o pesquisador Abraão Carlos Verdin Filho. As mudas clonais são obtidas a partir de plantas matrizes utilizando métodos como estaquia e enxertia.

Por ser biodegradável, o paper pot pode ser plantado diretamente no solo, sem a necessidade de remoção. Além de eliminar quaisquer resíduos plásticos, o processo de produção de mudas reduz a demanda por mão de obra, por ser mecanizado.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

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