Com prêmios nacionais e internacionais, organizações fortes e envolvimento cultural, o café especial capixaba é referência em qualidade e experiências sensoriais
Por Cínthia Ferreira
Reconhecido pela força de sua agricultura, o Espírito Santo se destaca a cada dia como um importante polo de produção de café especial do Brasil. Unindo tradição, tecnologia e sustentabilidade, o estado vem se consolidado como referência nacional e internacional no segmento.
Mas você sabe o que é café especial? É aquele isento de defeitos e impurezas, com atributos sensoriais como doçura e acidez acima da média. Fabiano Tristão, engenheiro agrônomo especialista em café do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), explica que existe uma metodologia internacional desenvolvida pela Asociação Internacional de Cafés Especiais que classifica o café de 0 até 100. Os cafés que pontuam acima de 80 são considerados especiais.
Além dos atributos sensoriais, o café especial também pode agregar outros conceitos, como preservação ambiental, bem-estar social, as características únicas conferidas por um território específico (terroir) e a indicação geográfica. Todos esses atributos aliado à qualidade sensorial de bebida agregam valor ao produto.
Hoje a produção de cafés capixabas acima de 80 pontos é de 300 mil sacas, vendidas em média por R$ 2.500,00, segundo Fabiano – valor até 53% maior que o preço médio de R$ 1.633,11 da saca de conilon não especial, segundo o Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV). “Isso significa uma renda maior para os agricultores, agregando valor ao seu produto”, destaca o especialista.

Destaque no mercado internacional
O café especial Espírito Santo se destaca no mercado internacional pela excelência e pela diversidade de aromas e sabores que são encontrados somente aqui. “Nós temos desde café com aroma de amêndoa, chocolate, caramelo, melado – que é uma característica muito forte aqui da nossa região -, frutas vermelhas, frutas amarelas. Ou seja, temos café para atender diversos perfis de consumidores de cafés especiais”, ressalta Tristão.
Essa diversidade torna o produto capixaba cada vez mais valorizado e apto a participar de concursos tanto a nível nacional quanto internacional. Nos últimos 10 anos, os produtores capixabas conquistaram premiações importantes no segmento, como o Cup of Excellence e o Coffee of the Year.
Cultivo nas alturas
O cultivo do café no Espírito Santo ocorre a partir de altitudes próximas a 50 metros, estendendo-se até mais de 500 metros, como é comum no caso do conilon. Já o café arábica pode ser cultivado em altitudes que alcançam até 1.200 metros. A diversidade de altitudes e condições climáticas presentes no estado favorece a produção de cafés especiais com perfis sensoriais variados e marcantes. Essa combinação de fatores naturais, somada ao manejo cuidadoso dos produtores, resulta em grãos com características únicas e exóticas.
Produção familiar
Os responsáveis pelo sucesso dos cafés especiais capixabas são os produtores familiares. Eles respondem por 90% da produção e a maioria possui propriedades com menos de seis hectares.
O trabalho na lavoura é compartilhado entre a família, concentrando a mão de obra nos pais e filhos.
Um exemplo de produção familiar é Thiago Dias Douro, produtor rural de 31 anos, que vive em Victor Hugo, Marechal Floriano. Há 15 anos ele, os pais e o irmão se dedicam à lavoura do café arábica numa área de 10 hectares.
A família produz anualmente em média de 350 a 400 sacas de café. E o sucesso do negócio se reflete na demanda local e internacional. “Tenho parceiros de torrefações e cafeterias em várias regiões do estado e do país, além de clientes que compram diretamente daqui o café torrado. Tenho comercializado com países europeus, como Inglaterra, Alemanha e Holanda, além dos Estados Unidos e do Japão”, comemora.
Na avaliação de Thiago, o resultado do trabalho tem sido positivo. “Temos o reconhecimento do mercado, dos clientes, devido à qualidade, e temos conseguido manter uma constância em todos esses anos. O trabalho na produção é contínuo, é o tempo todo cuidando é aperfeiçoando os processos para melhorar produtividade e qualidade”, acrescenta.
O café especial da família de Marechal Floriano é também destaque nacional e internacional nos concursos de que participa. Em 2020 conquistou a 1ª colocação no Prêmio Coffee Of The Yaer – considerado um dos mais importantes do setor, e no ano seguinte, a segunda colocação. Na competição promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), um concurso de café torrado artesanalmente, foi o 2° colocado; e no Cup Of Excellence – o principal concurso de qualidade para café do mundo, promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), conquistou em 2024, o 5º lugar.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

