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quinta-feira, 11 agosto, 2022

Pediatra Bruna Piassi Guaitolini fala tudo sobre dermatite atópica

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Bruna Piassi Guaitolini é médica pediatra do pronto socorro do Hospital Maternidade São José, em Colatina - Foto: Divulgação

Para esclarecer as principais questões em torno da dermatite atópica, o Portal ES Brasil entrevistou, com exclusividade, a doutora Bruna Piassi Guaitolini

Por Wesley Ribeiro 

É, o preconceito parece não ter fim. Três em cada dez brasileiros acreditam que a dermatite atópica, uma doença caracterizada por pele seca, lesões avermelhadas e coceira intensa, é um problema de saúde contagioso, que pode ser transmitido pelo contato direto. Essa visão equivocada indica o preconceito com respeito a esse quadro que afeta de 15% a 25% das crianças e cerca de 7% dos adultos.

A conclusão apareceu em uma pesquisa divulgada no dia 23 de setembro de 2021, pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Na percepção de 47% da população, a dermatite atópica é causada por maus hábitos de higiene; 46% acreditam, erroneamente, que o paciente não poderia ter contato com crianças; e 36% entendem que pessoas com manifestações visíveis não deveriam sair de casa, ir à escola ou ao trabalho. No entendimento de 33%, elas não poderiam até mesmo usar o transporte público.

Apesar da visão equivocada e do preconceito, a dermatite atópica é uma doença que merece atenção. Especialmente porque pode comprometer consideravelmente a qualidade de vida da pessoa, inclusive levando a internações e a óbito nos casos mais graves, e por causa do diagnóstico difícil.

Embora 59% dos brasileiros tenham apresentado pelo menos um dos sintomas característicos da dermatite atópica, o diagnóstico para esta doença ocorreu em apenas 1% dos casos. Outros 2% foram diagnosticados como alergia. 

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Quando não tratada adequadamente em casos mais graves a dermatite atópica pode levar a umna infecção generalizada a partir da infecção da pele e até provocar a morte do paciente – Foto: Reprodução/Pixabay

Para esclarecer as principais questões em torno da dermatite atópica, o Portal ES Brasil entrevistou, com exclusividade, a doutora Bruna Piassi Guaitolini. Ela é médica pediatra do pronto socorro do Hospital Maternidade São José, em Colatina.

Geralmente, a dermatite atópica se desenvolve na infância e é mais comum em pessoas que têm histórico familiar da doença. O quadro é considerado uma doença ou uma condição? Qual o conceito da dermatite atópica?

A dermatite atópica ou eczema atópico é uma doença, um processo inflamatório crônico da pele que tem como características lesões avermelhadas que coçam e, na grande maioria das vezes, descamam.

Dermatite atópica e alergia são a mesma coisa?

A dermatite é uma doença que tem uma relação direta com o processo alérgico, tanto é que se usa o termo “atópico” de atopia, de alergia, e que tem como característica, muitas vezes, o componente genético, hereditário, podendo vir associado a outras doenças, como por exemplo, a asma alérgica, a renite alérgica.

Qual o perfil mais comum das pessoas acometidas pela doença?

Normalmente, a dermatite atópica vem associada a outros quadros alérgicos. É muito comum pessoas que possuem asma alérgica ou rinite alérgica desencadear a condição de dermatite atópica, que é uma xerodermia. Ou seja, uma pela mais ressecada, que tem muita coceira, que descama. É muito comum a dermatite vir associada a outras doenças alérgicas. Não é uma regra, mas a grande maioria dos pacientes possuem outros quadros.

Como é feito o diagnóstico?

Basicamente, o diagnóstico é clínico. Não existe um exame específico detalhado para fazer o diagnóstico. Existem alguns exames que podem colaborar, porém, é predominantemente clínico. Isto é, tem que haver um médico capacitado e experiente para fechar esse diagnóstico. Normalmente, a dermatite atópica é diagnosticada pelo alergista ou pelo dermatologista.

Existem formas mais leves e mais graves da dermatite, ou tipos? Explique mais detalhadamente.

Sim, o eczema atópico pode ser classificado desde leve até a forma mais grave. Nos quadros leves é aquela pele ressecada, com coceira ou não, e que se consegue resolver com tratamento domiciliar, com uso de cremes e pomadas específicas, diferentemente dos quadros mais graves. Estes podem gerar infecções graves, como as infecções fúngicas, as infecções por bactérias. Como sintoma o paciente tem aquela pele extremamente ressecada, que gera uma intensa coceira. Ele se coça tanto que vai provocando feridas que alojam fungos e bactérias, entre outros. Em quadros mais graves, o paciente precisa ser internado para receber tratamento medicamentoso.

A dermatite é contagiosa? Até que ponto os sintomas podem comprometer a vida dos pacientes?

Basicamente, o quadro clínico é uma pele extremamente ressecada, irritada, que coça, que escama, que é visível a olho. É importante ressaltar que não é uma doença contagiosa. Infelizmente, pode comprometer a vida das pessoas, o dia a dia, a rotina de trabalho, da escola, dos estudos, e incapacita a pessoa. Muitos pacientes não conseguem dormir à noite e isso vai gerando uma cascata de problemas.

Existe cura para a dermatite?

Existe controle para a doença. Lógico, que cada organismo vai responder à sua maneira. Algumas pessoas respondem mais rapidamente ao tratamento para controle do quadro, outras demoram um período um pouco maior. Se realizar o tratamento adequado, da forma adequada, pode haver uma melhora na qualidade de vida.

Existe tratamento médico? Qual o tratamento mais indicado?

Basicamente, o tratamento é hidratação da pele que não pode ser com qualquer creme hidratante. É importante o acompanhamento de um dermatologista ou alergista para indicar qual o melhor produto para cada caso. Alguns medicamentos podem ser usados via oral para poder auxiliar. Também podemos lançar mão da imunoterapia, que é uma vacina para dermatite atópica que, em alguns casos, pode ser prescrita. E também há os imunobiológicos para as formas mais graves da doença.

Sem o tratamento adequado, a dermatite pode se agravar a ponto de levar o paciente a óbito?

Sim, a dermatite atópica pode se agravar a ponto de incapacitar o paciente e também pela questão da infecção da pele, pode evoluir para uma assepse, uma infecção generalizada. Quando esta ocorre pode levar o paciente a óbito, sim.

Quais cuidados devem ser tomados para se “conviver” com a dermatite?

Alguns cuidados devem ser tomados, principalmente, no inverno. Muitas pessoas costumam tomar banhos com água muito quente e não hidratam a pele suficientemente. Nessa época do ano, os cuidados devem ser redobrados.

Qual a importância da boa alimentação para combater a dermatite atópica?

Assim como qualquer outra condição ou doença, manter uma alimentação saudável colabora para uma melhor eficácia do tratamento e controle da doença. Também é importante manter uma boa hidratação. Beber muita água ajuda na hidratação da pele.

A dermatite pode comprometer a saúde emocional/psicológica da pessoa?

A dermatite atópica altera consideravelmente a rotina das pessoas comprometendo o sono e a qualidade de vida. Além disso, os pacientes ainda precisam lidar com o preconceito. Tudo isso provoca uma série de problemas, inclusive psiquiátricos como a depressão. Por isso, é importante buscar ajuda médica.

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