IBGE mostra que 62,7% das empresas fecham em até 5 anos; especialista aponta falhas na gestão financeira como principal causa da mortalidade dos negócios
Por Letícia Arcanjo
A pesquisa Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, do IBGE, mostra que a mortalidade dos negócios no Brasil ainda é elevada, especialmente nos primeiros anos de atividade. Segundo o levantamento, cerca de 62,7% das empresas fecham as portas em até cinco anos.
O estudo mostra que entre as empresas empregadoras nascidas em 2017, a taxa de sobrevivência caiu progressivamente, com 76,2% em 2018, 59,6% em 2019, 49,4% em 2020, 42,3% em 2021 e 37,3% em 2022. Apesar do cenário, o estudo aponta que a maioria das empresas supera o primeiro ano de vida, período considerado crítico para a continuidade dos negócios.
Pedro Rigo, superintendente do Sebrae-ES, explica que a mortalidade precoce das empresas está relacionada a diversos fatores, mas a gestão financeira é um dos pontos mais sensíveis para quem possui um pequeno negócio. Segundo ele, muitos empreendedores têm boas ideias e grande paixão pelo que fazem, mas acabam falhando por não se prepararem adequadamente para a gestão da empresa.
“Quando falamos de fluxo de caixa, não estamos falando de contabilidade complexa, mas de uma ferramenta que diz ao empreendedor se ele terá dinheiro para pagar o aluguel e o fornecedor na semana que vem. É a gestão financeira que garante a sustentabilidade da empresa”, pontua.
Ele ressalta que, para alcançar um negócio mais sustentável e duradouro, o empreendedor precisa mudar a mentalidade de “fazedor” para “gestor”. Segundo o superintendente, nesse cenário a educação financeira se torna essencial
Principais erros na gestão financeira de negócios
- Misturar finanças pessoais com as da empresa (CPF e CNPJ);
- Falta de controle do capital de giro;
- Ausência de fluxo de caixa;
- Precificação incorreta de produtos ou serviços;
- Definir preços apenas com base na concorrência;
- Não considerar custos fixos (como aluguel e salários) na formação de preços;
- Não considerar custos variáveis (impostos, matéria-prima, entre outros);
- Uso do capital de giro para despesas pessoais ou gastos não planejados;
- Falta de conhecimento básico sobre fluxo de caixa;
- Despreparo para leitura de demonstrativos de resultados.
Com informações do Sebrae-ES

