Chamamento do Laboratório Urbano Vivo vai destinar R$ 1 milhão a protótipos voltados à adaptação climática e à qualificação dos espaços públicos da capital
Por Nathanael Rodor
A Prefeitura de Vitória lançou o edital Laboratório Urbano Vivo (LUV) 01/2026, iniciativa que vai selecionar propostas inovadoras para enfrentar desafios relacionados às mudanças climáticas e à ocupação dos espaços públicos da capital. O anúncio foi feito durante a abertura do Centro de Inovação, no ESX 2026, realizado na Praça do Papa. Ao todo, serão investidos R$ 1 milhão na seleção de dez protótipos, com aporte de R$ 100 mil para cada projeto escolhido.
O chamamento busca soluções experimentais e com potencial de replicação para quatro frentes consideradas estratégicas pela administração municipal: requalificação térmica de superfícies urbanas, ativação climática por meio de mobiliário e equipamentos urbanos, melhoria das condições ambientais em áreas de espera e criação de estruturas voltadas à contemplação e valorização da identidade territorial. Segundo a Prefeitura, os desafios foram definidos a partir da identificação de oportunidades concretas de qualificação do espaço urbano, com foco na adaptação climática e na melhoria da experiência dos cidadãos em áreas de circulação e permanência.
A iniciativa surge em um contexto de crescente pressão sobre cidades costeiras. Para a neuroarquiteta Letícia Deps, municípios como Vitória enfrentam desafios simultâneos ligados à elevação do nível do mar, à intensificação das ilhas de calor e ao aumento da frequência de eventos climáticos extremos. “O que torna tudo isso mais grave é que esses fenômenos se retroalimentam, e a velocidade da urbanização costuma ser muito mais rápida do que a capacidade de resposta das infraestruturas tradicionais”, observa.
Nesse cenário, a aposta da administração municipal é aproximar o ecossistema de inovação dos desafios concretos da cidade. Para Letícia, a inovação aberta permite reunir diferentes atores na construção das soluções, tornando os projetos mais aderentes à realidade urbana. “Desafios climáticos urbanos raramente têm uma causa única ou uma resposta universal. Soluções desenhadas sem esse entendimento contextual tendem a funcionar muito bem no laboratório e falhar na calçada”, afirma.
Além de incentivar o desenvolvimento de novos materiais, metodologias e produtos, o edital pretende estimular a participação de startups, designers, arquitetos, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas na construção de uma cidade mais resiliente. A lógica dos protótipos também reduz riscos, ao permitir que soluções sejam testadas em escala menor antes de uma eventual expansão. “Projetos experimentais testam hipóteses, medem impacto real e incorporam o aprendizado antes de escalar. Essa abordagem faz sentido especialmente quando o problema que se quer resolver ainda está em movimento”, explica a especialista.

O LUV é estruturado por meio de contrato firmado em 2024, com investimento superior a R$ 4,2 milhões. Os primeiros resultados já começaram a aparecer por meio de projetos ligados ao edital anterior, envolvendo inteligência artificial, monitoramento ambiental e planejamento urbano. Segundo a Prefeitura, as soluções selecionadas no novo chamamento serão monitoradas e avaliadas tecnicamente, e aquelas que demonstrarem melhor desempenho poderão subsidiar políticas públicas permanentes. Entre os impactos esperados estão a redução da temperatura superficial, a ampliação do sombreamento e a qualificação de áreas de circulação, permanência e espera em diferentes regiões da cidade.
As inscrições para o edital seguem abertas até 13 de julho. A seleção ocorrerá em agosto, com divulgação do resultado final em 3 de setembro e início da implantação dos projetos ainda no mesmo mês. A expectativa é consolidar Vitória como um laboratório vivo de inovação urbana, capaz de testar respostas concretas para os desafios climáticos e de qualidade de vida enfrentados pelas cidades contemporâneas.


