Nova etapa da obra no Arquipélago de São Pedro e São Paulo reforça a presença brasileira em área estratégica para pesquisas e soberania marítima
Por Nathanael Rodor
A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) concluiu mais uma etapa da construção da 3ª Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), conjunto de ilhas localizado a cerca de 1.100 quilômetros da costa brasileira. Coordenado pelo Laboratório de Planejamento e Projetos (LPP), vinculado ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo, o projeto busca ampliar a capacidade de pesquisa em uma das regiões mais remotas e desafiadoras do território nacional.
Entre abril e maio deste ano, integrantes da equipe participaram de uma nova expedição ao arquipélago, com apoio da Marinha do Brasil, para dar continuidade às obras. Um dos principais avanços foi a conclusão da passarela de acesso que interliga diferentes áreas da Ilha Belmonte. A estrutura teve sua execução dividida em etapas devido às características do terreno e às dificuldades logísticas impostas pelo ambiente oceânico.
A vistoria do trecho central, construído no fim de 2025, confirmou o bom desempenho da estrutura após meses exposta a condições extremas, como mares agitados, alta salinidade e atividade sísmica. O resultado reforça a eficácia dos materiais empregados e das técnicas adotadas pela equipe. “Um dos fatores de fundamental importância é a escolha criteriosa de materiais e sistemas construtivos, considerando o desempenho e a longevidade das estruturas, visto ser este um dos ambientes mais inóspitos do território brasileiro”, afirma a coordenadora do projeto, a professora Cristina Engel.
Além de facilitar a circulação na ilha, a passarela terá papel estratégico na segurança da estação. “Ela servirá como rota de fuga em emergências, garantindo acesso seguro ao abrigo que será implantado nas proximidades do farol”, explica o engenheiro civil Heitor Rangel. Durante a missão, também foram executadas as fundações do futuro abrigo de emergência, preparando o terreno para as próximas fases da construção.

O arquipélago abriga pesquisas em áreas como biologia, oceanografia, geologia, física, sismologia e engenharia de pesca, reunindo cientistas de diferentes instituições brasileiras. A manutenção da presença científica no local também possui relevância geopolítica, já que garante ao Brasil o direito de exploração e pesquisa em uma extensa Zona Econômica Exclusiva no Atlântico.
Para o arquiteto Bernardo Dias, integrante da equipe, a iniciativa extrapola os limites da engenharia. “A nova estação científica desempenhará papel fundamental na consolidação da presença brasileira no local, sendo um orgulho para a Ufes participar dessa empreitada, cujos resultados poderão ser replicados em outras situações semelhantes”, destaca.


