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Decisão do STF eleva risco estrutural dos contêineres no ES

Cobrança do SSE volta a valer, impacta operações portuárias e reduz previsibilidade para empresas e investidores

Por Maxieni Muniz

Os contêineres voltaram ao centro do debate logístico no Espírito Santo após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) reacender disputas regulatórias no setor portuário. A revalidação da cobrança pelo serviço de segregação e entrega de contêineres importados (SSE), autorizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), trouxe impactos imediatos para terminais, operadores logísticos e empresas que dependem do comércio exterior capixaba.

A decisão recolocou em vigor uma norma que havia sido questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), criando um histórico de idas e vindas jurídicas. O resultado, na prática, é um ambiente de insegurança regulatória que dificulta o planejamento das operações e compromete a previsibilidade dos custos logísticos no Estado.

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No Espírito Santo, onde a movimentação de contêineres está concentrada em um único terminal, os efeitos foram sentidos de forma mais intensa. Empresas relataram atrasos na retirada de cargas, mudanças repentinas nos procedimentos operacionais e aumento do tempo de permanência dos contêineres nos pátios, o que pressiona toda a cadeia logística.

Para o economista e conselheiro do Corecon-ES, Vaner Corrêa Simões Junior, os impactos são claros já no curto prazo. Segundo ele, a decisão do STF provoca um “choque negativo de custos” no sistema portuário capixaba.

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“A revalidação da cobrança do SSE adiciona um custo extra por contêiner, que acaba sendo repassado ao importador ou exportador. Ao mesmo tempo, a mudança abrupta nas regras gera desorganização operacional, com atrasos, maior tempo de permanência nos pátios e aumento de despesas indiretas, como armazenagem, demurrage e frete rodoviário”, afirma.

Além do impacto imediato nos custos e prazos, a insegurança regulatória compromete a competitividade do comércio exterior capixaba. Na avaliação de Vaner, portos não competem apenas por preço, mas por estabilidade institucional. “Quando as regras mudam por decisão judicial, o Espírito Santo passa a operar com um prêmio de risco regulatório maior do que outros portos brasileiros. Isso leva empresas a buscar alternativas onde os custos sejam mais previsíveis, mesmo que a distância seja maior”, destaca.

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O cenário também acende um alerta para os investimentos de longo prazo. A concentração da operação de contêineres em um único terminal amplia a vulnerabilidade do sistema logístico estadual. “O investidor enxerga dois riscos combinados: o regulatório, com decisões que podem ser revertidas a qualquer momento, e o operacional, pela ausência de redundância logística”, explica o economista.

Segundo ele, esse ambiente eleva a taxa de desconto dos projetos, reduz o apetite por novos investimentos e aumenta o risco sistêmico da logística capixaba. Em um momento em que o Espírito Santo busca ampliar sua participação no comércio exterior e se posicionar como alternativa logística aos grandes portos do Sudeste, a indefinição sobre a regulamentação dos contêineres funciona como um entrave estratégico.

Sem segurança jurídica e previsibilidade operacional, o Estado corre o risco de perder competitividade estrutural no médio e longo prazo.  

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