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Terminal em Aracruz pode mudar o jogo dos contêineres

Com calado para megacargueiros e parceria com gigante global, projeto coloca o Espírito Santo na disputa por rotas internacionais e desafia a hierarquia portuária nacional

Por Pedro Henrique Oliveira

A Hanseatic Global Terminals e o Grupo Imetame decidiram alterar o eixo competitivo do Espírito Santo no comércio exterior. Em dezembro do ano passado, a subsidiária da Hapag-Lloyd anunciou a aquisição de 50% da Imetame Logística Porto e o desenvolvimento de um novo terminal de contêineres em Aracruz, com início de operação previsto para 2028. O investimento estimado gira em torno de R$ 1 bilhão.

Historicamente, o estado construiu um sistema portuário diversificado — minério, celulose, siderurgia e operações consolidadas na Grande Vitória —, mas sem um terminal de contêineres com calado profundo, capaz de receber navios de última geração. Essa limitação técnica restringia a atração de novas rotas e deslocava cargas para portos fora do ES. O principal entrave local é a combinação de escala limitada, menor frequência de navios e custo logístico menos competitivo, cenário agravado pela ausência de integração adequada com outros modais logísticos.

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O projeto em Aracruz altera esse quadro. Com 17 m de profundidade, 750 m de cais e capacidade inicial de 1,2 milhão de TEUs por ano, o terminal poderá receber embarcações de até 14 mil TEUs e operar como hub de transbordo. Isso significa escala direta de linhas internacionais, especialmente da Ásia, redução de custos logísticos e maior eficiência operacional. Hoje, portos como Santos e Suape operam com escalas maiores e maior oferta de rotas, o que explica a preferência de armadores e exportadores.

Para o presidente do Sindicato de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), Sidemar Acosta, o avanço tem caráter estrutural. “O Sindiex sempre apostou nesse projeto como um divisor de águas para o comércio exterior capixaba. Importante destacar que não se trata de um único terminal isolado, mas da consolidação de um complexo portuário multipropósito, com diferentes operações”, afirma.

Segundo ele, a possibilidade de operar embarcações maiores altera a posição do Estado no mapa logístico nacional. “Embora nenhum projeto isolado resolva todos os desafios, esse terminal representa um avanço decisivo e cria as condições técnicas necessárias para um novo patamar de competitividade logística no estado.”

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No campo concorrencial, a expectativa não é apenas de disputa direta. “Mais do que concorrência, esses empreendimentos ampliam a capacidade e a diversidade das soluções logísticas capixabas”, avalia Acosta, ao citar também o TVV, a expansão da Portocel e o futuro Porto Central. Para ele, a coexistência de diferentes terminais amplia a liberdade de escolha de importadores e exportadores e tende a gerar ganhos sistêmicos, com maior oferta de serviços e atração de armadores.

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Infraestrutura

O novo cenário, contudo, impõe desafios. “O avanço portuário de Aracruz exige, de forma urgente, a modernização da infraestrutura terrestre”, ressalta. O dirigente defende melhorias na BR-101, duplicação da BR-262, fortalecimento da BR-259 e investimentos ferroviários. “Portos modernos precisam estar conectados a corredores logísticos eficientes.”

No balanço, Aracruz não representa apenas um novo terminal, mas uma mudança de status. O Espírito Santo deixa de ocupar posição periférica no mercado de contêineres e passa a disputar protagonismo nas rotas internacionais — desde que a infraestrutura terrestre acompanhe o salto portuário.

Essa matéria foi publicada originalmente na Edição 232 da Revista ES Brasil — Portos: O Poder da Logística, de março de 2026. Clique neste link para conferir a edição completa.

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