Theatro Carlos Gomes, ícone cultural de Vitória, reabre em 2025 após restauração de R$ 20 milhões financiada pelo BNDES e EDP
Por Thamiris Guidoni, com curadoria de Fábio Pirajá
Poucos edifícios ajudam a contar tão bem a transformação cultural de Vitória quanto o Theatro Carlos Gomes. Inaugurado em 5 de janeiro de 1927, no Centro da capital, o espaço surgiu para preencher o vazio deixado pelo antigo Teatro Melpômene, destruído após um incêndio. O edifício passou a representar uma nova fase para Vitória, acompanhando o crescimento urbano e o fortalecimento da vida cultural da capital nas primeiras décadas do século XX.
Projetado pelo arquiteto italiano André Carloni, o teatro foi inspirado no Teatro Alla Scala, de Milão, e trouxe ao Espírito Santo uma arquitetura de influência neorrenascentista e eclética. A construção, realizada entre 1925 e 1927 em cimento armado — tecnologia moderna para a época — incorporou elementos do antigo Melpômene, como colunas de ferro fundido reaproveitadas nos balcões e galerias.

A inauguração aconteceu com a peça “Verde e Amarelo”, apresentada pela Companhia da Revista Tam-Tam. A partir dali, o Carlos Gomes passou a ocupar posição central na vida cultural capixaba. Entre camarotes, corredores e cortinas históricas, o espaço recebeu artistas como Bibi Ferreira, Paulo Autran e Fernanda Montenegro, acompanhando as mudanças urbanas e culturais de Vitória ao longo das décadas.
Em 1983, o teatro foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura, consolidando seu reconhecimento como patrimônio histórico do Espírito Santo. Ainda assim, o desgaste provocado pelo tempo tornou inevitável uma ampla restauração. Fechado desde 2017, o edifício passou por um processo completo de recuperação estrutural e modernização técnica, buscando equilibrar preservação histórica e atualização funcional.
As obras recuperaram características originais do prédio, incluindo cores históricas da fachada, detalhes dourados da ornamentação, o lustre principal e a pintura de Homero Massena no teto. Durante o processo de restauro, equipes especializadas identificaram diferentes camadas de tinta sobre paredes e elementos decorativos, permitindo revelar traços da concepção original do edifício.
Ao mesmo tempo, o espaço recebeu novos sistemas de iluminação, sonorização, climatização, acessibilidade e segurança, além da instalação de elevadores e modernização da estrutura cênica. O projeto também incorporou novos usos ao prédio histórico, como a criação de um café próximo ao foyer e a implantação de visitas mediadas aos bastidores e camarins.
Com investimento de R$ 20 milhões, financiado pelo BNDES e pela EDP por meio da Lei Rouanet, as obras foram executadas pelo Instituto Modus Vivendi, responsável também por restauros como os do Palácio Anchieta e da Igreja dos Reis Magos.
A reabertura ao público, em 22 de novembro de 2025, representou mais do que a entrega de um prédio restaurado. O Theatro Carlos Gomes voltou a ocupar seu lugar como um dos principais símbolos culturais capixabas e testemunha da relação entre memória, patrimônio e arte construída ao longo de quase um século no Centro de Vitória.
Hoje, o Theatro Carlos Gomes segue de cortinas abertas para diferentes expressões artísticas, mantendo viva a tradição cultural construída ao longo de quase um século no coração de Vitória.
Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

