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segunda-feira, 17 maio, 2021

Crédito para recomeçar

Conheça as linhas especiais criadas para atender a demanda gerada pela pandemia, especialmente pelos pequenos e médios negócios

Por Mike Figueiredo

Logo no início da pandemia do novo Coronavírus, houve grande preocupação com a situação das empresas, sejam elas pequenas ou grandes, e a reação da economia às medidas restritivas e de distanciamento social, necessárias em todo o mundo. Uma das maneiras de incentivar a permanência dos negócios em funcionamento é disponibilizar crédito, principalmente nos momentos mais críticos. Seja para investir na estrutura ou para pagamento de pessoal, essa é uma maneira de driblar os efeitos negativos nessas situações.

No Espírito Santo, a promessa para 2021 é de manutenção das linhas de crédito criadas de forma emergencial para enfrentamento às consequências da pandemia. A garantia dos bancos públicos capixabas é de haver recursos disponíveis para empréstimos para o fortalecimento da atuação dos empreendedores. Além disso, as instituições oferecem crédito com taxas de juros mais baixas, inclusive pela influência da menor taxa básica de juros (Selic) da história, com 2% ao ano, desde agosto de 2020.

Após um período complicado e de crise econômica, como foi o último ano, os resultados não são os melhores em boa parte dos setores. “O primeiro reflexo é a crise de expectativa. Diante disso, o comportamento característico é a iniciativa privada segurar o investimento previsto por não saber como a demanda se portará”, explica o economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon), Celso Bissoli Sessa.

Segundo ele, quando há essa retração de investimentos devido a uma baixa expectativa de mercado, como acontece durante a pandemia, parte da população com renda afetada acaba reagindo e reduzindo o nível de consumo. “As duas pontas da economia ficam com o feio de mão puxado”.

Na avaliação do presidente do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), José Amarildo Casagrande, nem todos os setores da economia capixaba foram tão afetados pela crise. “Há alguns segmentos que tiveram crescimento, outros estão com mais dificuldade”, afirmou Casagrande. Entre os que cresceram estão a indústria de alimentação, as transações de mercado eletrônico e a construção civil.

“A diversificação de linhas torna as cooperativas do Sicoob ES muito competitivas e, contando com a expertise de conhecer de perto nosso público, temos condições de oferecer o ponto de apoio para alavancagem dos negócios de nossos associados empreendedores” – Nailson Dalla Bernadina, diretor-executivo do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil no Espírito Santo (Sicoob ES) – Foto: Joacir Azeredo

Ainda segundo Casagrande, apesar do momento de crise econômica, devido à pandemia, não foram observados grandes problemas quanto ao pagamento dos clientes aos bancos. “Foi o ano em que mais recuperamos crédito. Ficamos com inadimplência controlada e até a venda de seguros cresceu em 2020”, comemorou o presidente do Banestes.

Injeção de recursos

Em momentos adversos, como o que estamos vivendo, a atuação do Estado é imprescindível justamente porque é preciso fazer o movimento estratégico de sinalizar uma iniciativa de recuperação da economia e, dessa forma, reverter a crise da expectativa e destravar as ações da iniciativa privada.

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Para o diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), Munir Abud de Oliveira, a retomada das atividades econômicas poderá ganhar fôlego na medida em que a vacinação está avançando. “Os principais pontos que devemos focar no atendimento às demandas do setor produtivo são a ampliação de produtos e de serviços e o ganho em agilidade na concessão do crédito”.

Isso também é o que defende o economista Celso Bissoli Sessa. “O crédito é importante porque permite a realização de investimentos ou porque promove o aumento do consumo por parte da população, mesmo sem haver renda disponível. É uma das formas mais eficientes para estimular a economia nos momentos de crise”, esclarece.

“O Bandes tem recursos financeiros para financiamento a médio e a longo prazos, tanto por programas de apoio quanto por projetos capazes de potencializar atividades econômicas e desenvolvimento regional” – Munir Abud de Oliveira, diretor-presidente do Bandes – Foto: Divulgação

O diretor-executivo do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) no Espírito Santo, Nailson Dalla Bernadina, informou que, ao todo, foram mais de R$ 3 bilhões disponibilizados em favor dos associados. “As medidas para auxiliar as pessoas e empresas prejudicadas pela pandemia incluíram a prorrogação e a renegociação de dívidas e a liberação de novos créditos, além de linhas para empreendedores e para a manutenção de empregos”.

Sessa entende que o efeito maior é quando as linhas de crédito são disponibilizadas para pequenas empresas porque, em geral, as grandes empresas têm mais acesso ao sistema financeiro. “[As grandes empresas] têm possibilidade maior de acesso aos bancos. A grande dificuldade é das micro e pequenas empresas, que são mais representativas na geração de empregos”.

Outra forma de aquecer o mercado é o poder público anunciar investimentos, como os de infraestrutura. Como explica o economista, os governos são agentes econômicos com mais segurança porque não quebram da mesma forma que uma empresa pode quebrar. Ao fazer investimentos, cadeias produtivas são acionadas como, por exemplo, em uma obra pública, auxiliando a reversão do resultado da economia.

Crédito emergencial

Diante de um mar de incertezas em relação aos rumos da economia, o ano de 2020 foi desafiador para muitos gestores. Para atender aos empreendedores foram criadas no Espírito Santo algumas soluções de auxílio e de crédito emergencial.

O Banestes, em parceria com o Bandes, lançou, em março de 2020, uma linha de crédito especialmente voltada a capital de giro para empresas de todos os portes e ao setor industrial, com R$ 250 milhões contratados até dezembro em mais de 2,4 mil operações. Este ano, houve a liberação de mais R$ 100 milhões, que já estão disponíveis para negociações.

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Com participação da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), o Banestes bateu recorde em volume de microcrédito em 2020, alcançando a marca de R$ 103 milhões em concessões para mais de 11,5 mil pequenos empresários.

“O Banestes tem todo um histórico desde que começou a pandemia. Desde o início, percebemos a gravidade da situação. Por isso, tomamos uma série de ações e estamos preparados para essa retomada” José Amarildo Casagrande, diretor-presidente do Banestes – Foto: Divulgação

“As operações são feitas via aplicativo, que foi criado especificamente para isso”, informa o diretor de Negócios e Recuperação de Ativos do Banestes, Hugo Luiz Ribeiro Gaspar. “É crédito para montar uma fábrica de doces, capital para comprar maquinário. Ou alguém que quer transformar o negócio em e-commerce, quer montar loja virtual”, exemplifica.

Para ele, o microcrédito tem uma finalidade social e a linha acabou se tornando uma referência nacional. “Recebemos consultas de bancos de outros lugares para comentarmos o case. Microcrédito pode gerar inadimplência grande, o que não acontece aqui”, revelou.
Por ser uma linha voltada ao pequeno negócio, a taxa de juros atribuída é de 0,65% ao mês, mais outras taxas de mercado, e o valor máximo do financiamento chega a R$ 21 mil para empreendedores com renda anual de R$ 360 mil.

Já os grandes e médios negócios (pessoas jurídicas) tiveram apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), junto aos bancos capixabas. Dessa forma, uma linha de crédito é operacionalizada para a aquisição de máquinas, equipamentos e caminhões com financiamento de até 100% do valor de compra. Além disso, empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões – sejam elas de micro, pequeno ou médio porte – têm uma linha específica voltada ao capital de giro.

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