Em 2025, bancos e cooperativas financeiras ampliam crédito, presença territorial e novas frentes de operação no Espírito Santo
Por Pedro Henrique Oliveira
O setor financeiro capixaba teve, em 2025, resultados que consolidam um ciclo positivo para as principais instituições que atuam no estado, com destaque para o crédito. Nesse movimento, o Banestes alcançou um lucro líquido recorde de R$ 304 milhões no período de janeiro a setembro deste ano, com alta de 17,3% sobre 2024. É o maior resultado da série histórica para esse recorte temporal.
“Nós tivemos um crescimento consistente no crédito e na parte de serviços, mantendo nossa inadimplência controlada. Isso favoreceu bastante os resultados do ano”, disse o presidente do banco, Amarildo Casagrande.
A Carteira de Crédito Ampliada da instituição capixaba atingiu R$ 15,1 bilhões, com crescimento de 8,3% em 12 meses, até setembro. Já a Carteira de Crédito Comercial somou R$ 12,6 bilhões, avanço de 13,2% no período.
O diretor de Relações com Investidores e Finanças do Banestes, Silvio Grillo, destaca a expansão dos produtos de seguridade. “Eles tiveram bastante destaque dentro do nosso planejamento estratégico, através da nossa corretora e das parcerias que firmamos”, afirmou.
Ele projeta que o segmento deve ganhar ainda mais espaço em 2026. “Temos um grande potencial para incrementar.
E quando nós fazemos o crédito, procuramos levar a solução completa para o nosso cliente, temos muito a avançar nessa frente.”
Para o próximo ano, outro eixo relevante será a operação da loteria estadual. “Isso vai suprir uma lacuna importante para o estado. Vamos operar a loteria capixaba e parte significativa dos recursos serão destinados para áreas sociais, como esporte, cultura, saúde e assistência social”, completou.
O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) também movimentou o mercado ao reforçar sua estratégia de apoio ao investimento produtivo. No primeiro semestre, as liberações somaram R$ 92,5 milhões, em um contexto influenciado pela Selic elevada.
Mesmo assim, o saldo da carteira de crédito atingiu R$ 642,9 milhões, crescimento de 33,4% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior.
A composição mostra foco crescente na indústria, que representa 45% das operações, seguida por serviços (27,8%), comércio (12,4%) e agropecuária (11,4%), indicando a continuidade da política de desconcentração da carteira rural e estímulo a segmentos com maior demanda por investimento.
Novidades na estrutura
O Banco do Nordeste consolidou 2025 como ano de expansão e fortalecimento institucional no Espírito Santo. A implantação da Gerência de Reestruturação de Ativos aumentou a capacidade técnica local, enquanto o novo Escritório de Apoio em Vitória aproximou o banco do ambiente decisório e ampliou a articulação com o Governo do Estado.
A rede de microcrédito foi estendida com novos postos do Crediamigo e Agroamigo em Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Pinheiros, São Mateus e Aracruz, fortalecendo o atendimento a pequenos empreendedores. No total, o Banco do Nordeste aplicou R$ 1,6 bilhão no estado em 2025, o maior volume de sua história, somando o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), recursos próprios, microcrédito e carteira de governo.
Cooperativas financeiras
Entre as cooperativas de serviço financeiro, o Sicoob-ES manteve trajetória de crescimento. No primeiro semestre, registrou resultado bruto de R$ 745,4 milhões, aumento de 27% sobre o mesmo período de 2024. A carteira de crédito alcançou R$ 17,7 bilhões, com R$ 14,6 bilhões destinados ao crédito comercial e R$ 3 bilhões ao setor agropecuário.
Para o segundo semestre, a instituição projetou R$ 4 bilhões em crédito rural disponível para mais de 15 mil cooperados, alcançando ainda a marca de 1 milhão de associados.
Já o Sicredi reforçou sua presença no Espírito Santo ao alcançar 56 municípios e 149,8 mil associados até dezembro de 2025. Nos dois últimos anos, a cooperativa mais que dobrou sua cobertura territorial, triplicou o número de associados e expandiu seus ativos para R$ 4,8 bilhões.
A poupança se destacou, passando de R$ 19,5 milhões, em 2023, para R$ 167,7 milhões, em 2025, enquanto o crédito rural chegou a R$ 645,2 milhões, consolidando o papel da instituição no financiamento ao agronegócio.

