Empresa capixaba estrutura R$ 250 milhões em projetos para ampliar acesso a recursos
Por Nathanael Rodor
O acesso a recursos para inovação ainda é um desafio para grande parte das empresas brasileiras, especialmente as de médio porte. No Espírito Santo, apenas 3% do crédito da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) chega ao estado, cenário que faz com que empresas deixem de acessar milhões de reais disponíveis para desenvolvimento tecnológico, novos produtos e crescimento empresarial.
De olho nesse mercado, a consultoria capixaba BButton Ventures afirma já ter estruturado projetos que somam mais de R$ 250 milhões em investimentos voltados à inovação. A empresa atua na organização de projetos e na captação de recursos incentivados, conectando negócios a linhas de financiamento com condições mais acessíveis do que as praticadas no mercado tradicional.
O baixo acesso a linhas de financiamento para inovação ainda é um dos principais gargalos enfrentados por empresas capixabas. Segundo um dos sócios da BButton Ventures, Flavio Aguilar, muitas companhias deixam de acessar recursos disponíveis por falta de estrutura técnica, conhecimento sobre editais ou dificuldade para transformar ideias em projetos competitivos. No Espírito Santo, apenas 3% do crédito da Finep chega ao estado, apesar da existência de linhas voltadas ao desenvolvimento tecnológico e à competitividade empresarial.
Nesse cenário, cresce a demanda por empresas especializadas em estruturar projetos e conectar negócios a mecanismos de incentivo público e privado. A atuação envolve desde a elaboração técnica até a adequação das empresas às exigências de programas de financiamento. “Existe um volume enorme de recursos disponíveis no Brasil hoje, mas ainda são poucas as empresas que conseguem acessar. Não é por falta de oportunidade, é por falta de organização e conhecimento do caminho”, afirma Flavio Aguilar.
Segundo ele, o baixo acesso de empresas capixabas às linhas da Finep também está ligado a uma cultura ainda recente de investimento em inovação no Estado. Historicamente, os recursos eram mais acessados por grandes companhias de outros centros econômicos do país, já acostumadas a trabalhar com pesquisa, desenvolvimento e estruturação de projetos. “O Espírito Santo é um estado característico de médias empresas familiares, que passaram há pouco tempo a trabalhar esse tema dentro de casa”, explica.
O empresário avalia que muitas companhias ainda enxergam inovação como algo distante da própria realidade, associado apenas a projetos altamente tecnológicos ou disruptivos. “Existia a ideia de que inovação era quase ‘engenharia de foguete’. Hoje começa a ficar mais claro que projetos voltados à competitividade, eficiência e crescimento também podem acessar esses recursos”, afirma. Para ele, ampliar o conhecimento sobre as linhas disponíveis pode ajudar empresas capixabas a ganhar competitividade, gerar empregos e movimentar a economia local.


