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O governo e a base aliada

As eleições de 2026 se aproximam e o governo Lula, se busca um bom desempenho nas urnas, necessita com urgência de uma correção de rumos

Por André Pereira César

O governo parece próximo de atingir o momento mais crítico da gestão Lula em seu terceiro mandato. Problemas de toda ordem se acumulam. Erros crassos de ação e de comunicação, insatisfação dos partidos aliados que buscam mais espaço na Esplanada, dificuldades de negociar a agenda do Planalto no Congresso Nacional e casos como o do INSS são apenas alguns exemplos. Paradoxalmente, a chamada “economia real” emite sinais positivos.

Comecemos falando da figura presidencial. Lula, em determinados momentos nos últimos meses, aparenta certo cansaço e a irritação, por vezes, salta aos olhos. A questão do mal-estar envolvendo a primeira-dama durante a viagem à China ilustra essa realidade. O titular do Planalto cobrou de ministros informações sobre o suposto vazamento do ocorrido no encontro com a cúpula de Pequim. Ambiente carregado e desconfiança generalizada no primeiro escalão.

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Ainda sobre o presidente, há outras questões. A errática condução da esperada (e anunciada) reforma ministerial alimenta movimentos de rebelião na base. Lideranças de partidos aliados, que não entregam o que se espera deles nas discussões e negociações em torno de propostas estratégicas para o Planalto. Há quem avalie que Lula “perdeu a mão” – e o preço político junto aos parlamentares só aumenta.

Por fim, é inegável que o titular do Planalto tem cometido excessos em sua retórica. A recente fala em evento realizado na Paraíba sobre “Deus ter mandado a seca para o Nordeste para meu governo resolver” sintetiza o que aqui falamos – a comunicação é sofrível e a oposição agradece pelos deslizes verbais.

No caso específico da comunicação, a mudança de comando na área até agora não surtiu efeitos práticos. Há inclusive reclamações de que ao novo ministro-chefe da secretaria de Comunicação Social, Sidônio Pereira, faltaria traquejo político. Lembremos que, quando de sua posse, o nome do marqueteiro foi apresentado com toda pompa e circunstância, mas até aqui foi muita espuma para pouca substância.

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Além disso, o governo Lula 3 não tem uma marca que represente com força a atual administração – ao contrário do que se viu em tempos passados, quando o Bolsa-Família ou o PAC mobilizaram parcela significativa do eleitorado.

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Igualmente os ministérios, com raras exceções, estão muito apagados. Esperava-se mais de Alexandre Padilha (PT/SP) na Saúde e Gleisi Hoffmann (PT/PR), que após um início interessante à frente da secretaria de Relações Institucionais, mergulhou e pouco se vê de suas ações. Por outro lado, um nome central na Esplanada, o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT/SP), é vítima de fogo amigo quase permanente. O jogo é difícil.

Dois casos recentes merecem atenção especial. A crise da fraude no INSS desgastou profundamente a imagem do governo, apesar do problema ter iniciado na gestão de Jair Bolsonaro (PL). E o imbróglio em torno do IOF gerou desconforto generalizado, inclusive no Congresso, que pressiona para que o decreto que eleva a cobrança seja imediatamente suspenso. Mais chumbo grosso no ar.

Enfim, enquanto toda essa tempestade ganha força, a agenda do governo fica em segundo plano. Propostas como a isenção da cobrança do IR para quem recebe até R$ 5 mil e a regulamentação da reforma tributária, por exemplo, seguem em ritmo lento. Conforme já observamos nesse espaço em outras ocasiões, as eleições de 2026 se aproximam e o governo Lula, se busca um bom desempenho nas urnas, necessita com urgência de uma correção de rumos.

André Pereira César é Cientista Político e sócio da Hold Assessoria Legislativa.

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