
O relatório GEO Brasil 2025, lançado durante a COP, mostrou que ainda investimos pouco em meio ambiente
Por Luiz Fernando Schettino
2025 foi um ano que nos atravessou. Um tempo de extremos, de urgências e de encontros. Um tempo em que o planeta gritou por cuidado, e em que a Amazônia, pela primeira vez, foi palco da maior conferência climática do mundo: a COP30. E foi ali, em Belém, que o Brasil, o Espírito Santo e todos nós fomos chamados a responder — não com discursos, mas com escolhas.
O planeta viveu um dos anos mais quentes da história. Ondas de calor na Europa e na Ásia, enchentes na África, secas severas na América do Norte. No Brasil, a estiagem prolongada e os eventos extremos escancararam nossa vulnerabilidade.
Mas também revelaram nossa capacidade de resposta. O relatório GEO Brasil 2025, lançado durante a COP, mostrou que ainda investimos pouco em meio ambiente. Mas, mostrou também que há caminhos e que o Espírito Santo está entre os que já começaram a trilhá-los.
Sob a liderança do governador Renato Casagrande, presidente do Consórcio Brasil Verde, o Espírito Santo apresentou várias ações concretas de descarbonização e adaptação climática.
Com destaque para o projeto de biometano da Marca Ambiental, em Cariacica, foi um dos destaques: R$ 70 milhões investidos em energia limpa, com impacto direto na matriz energética e na economia circular. A criação do Selo Descarboniza-ES e o lançamento da plataforma digital do Programa Capixaba de Mudanças Climáticas reforçaram o compromisso com a transparência e a governança ambiental.
Durante a COP30, participei como palestrante nos debates sobre federalismo climático, promovidos pelo Consórcio Brasil Verde e pelo Conselho Federal de Química. No mesmo espaço e com as mesmas instituições, coordenei e fui moderador do painel sobre restauração florestal, um tema que me acompanha desde o início da minha trajetória. Defendemos que não há justiça ambiental sem justiça social. E que o pacto federativo precisa ser reconstruído com base na cooperação, na ciência e na escuta dos territórios. Reafirmamos que restaurar não é apenas plantar árvores, mas reconstruir vínculos, proteger nascentes, gerar trabalho e dignidade.
A COP30 foi mais do que uma conferência. Foi um espelho. Refletiu o que somos, o que fizemos e o que ainda precisamos fazer. Foi também um espaço de convergência. Como dizia Teilhard de Chardin (padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês – conhecido por tentar unir ciência e espiritualidade), o futuro da humanidade depende da nossa capacidade de convergir. E foi isso que vimos: povos, saberes, gerações, experiências. Um mosaico de possibilidades. Um chamado à ação coletiva.
Volto da COP30 com esperança renovada. Apesar das dificuldades, dos desencontros, das urgências. Mas também por causa dos encontros, das convergências, dos entendimentos. É tempo de transformar, colaborar, fazer acontecer. Tempo de sustentar o que é essencial. De ancorar o futuro em escolhas éticas, mesmo quando o presente parece instável.
E é nesse caminho, feito de passos conscientes, de mãos estendidas e de compromissos assumidos, que seguimos. Um caminho para o amanhã, pavimentado por decisões que respeitam a vida, a natureza e a dignidade humana. Que cada gesto de hoje seja uma semente. Que cada escolha seja um traço firme na trilha que deixamos para as próximas gerações.
Porque o amanhã não é um lugar distante. Ele começa agora. E o Espírito Santo, o Brasil e todos nós temos o poder e o dever de construir esse caminho com coragem, sabedoria e esperança.
Luiz Fernando Schettino é engenheiro florestal, Mestre e Doutor em Ciência Florestal, advogado, escritor e participante da COP 30 pelo Estado do Espirito Santo
Esse artigo é uma republicação da Edição 231 da Revista ES Brasil – Retrospectiva 2025 – Leia aqui

